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Se o PIN do seu cartão bancário está nesta lista, mude-o já: a sua conta pode ser esvaziada.

Pessoa segura telemóvel bloqueado e cartão de crédito, com bloco de notas e planta ao fundo, num ambiente iluminado.

Criminosos sabem exatamente quais testar primeiro.

Milhões de pessoas continuam a usar códigos PIN previsíveis nos seus cartões de débito e crédito, dando aos burlões uma vantagem caso uma carteira desapareça. Algumas combinações aparecem tantas vezes que redes organizadas já as testam quase por reflexo.

Os PIN previsíveis que os criminosos testam primeiro

Um cartão bancário protege o seu dinheiro apenas enquanto o PIN se mantiver secreto e difícil de adivinhar. O problema: muitos utilizadores escolhem sequências fáceis de memorizar que um desconhecido consegue deduzir em segundos.

Se o seu PIN parece simples ou familiar, parta do princípio de que um ladrão o tentará antes de qualquer outro.

Investigadores de segurança e bancos continuam a ver os mesmos códigos repetidamente. Entre as combinações mais abusadas estão:

  • 1234
  • 0000
  • 1111
  • 2222
  • 4444
  • 7777
  • 1212
  • 1004
  • 2000
  • 6969

Estes números surgem com tanta frequência em conjuntos de dados divulgados (leaks) que já constam do que os especialistas chamam “listas negras” de PIN arriscados. Em alguns países, análises sugerem que cerca de 15% dos titulares de cartões ainda usam um destes padrões óbvios, ou algo muito próximo.

Pode parecer uma percentagem pequena, mas cria uma enorme oportunidade para ladrões. A fraude moderna com cartões muitas vezes é simples: roubar ou clonar o cartão, testar alguns PIN prováveis num multibanco ou terminal de pagamento e esvaziar a conta antes de a vítima reagir.

Um ladrão não precisa de “quebrar” um código matematicamente; adivinhar os 20 PIN mais comuns pode ser suficiente para acertar no prémio grande.

Dados europeus mostram como este método continua atrativo. De toda a fraude com cartões reportada na Europa em 2024, uma parte significativa veio de apenas alguns países onde o roubo físico do cartão e a exposição do PIN continuam a ser comuns. Isto reflete não só as táticas criminais, mas também os hábitos dos utilizadores na escolha do PIN e no manuseamento do cartão.

Porque é que as pessoas ainda escolhem PIN fracos

A maioria dos PIN fracos não resulta apenas de preguiça. Resulta do medo de esquecer. As pessoas escolhem datas de nascimento, dígitos repetidos ou sequências simples porque esses números parecem fáceis de recordar num momento de stress no multibanco.

Mas os truques de memória têm um custo. Datas, padrões simples e dígitos repetidos estão entre as primeiras tentativas de quem rouba um cartão. As redes sociais tornam isto ainda mais fácil. Um burlão consegue muitas vezes encontrar a sua data de nascimento, aniversário ou “número da sorte” com uma pesquisa rápida em perfis públicos.

Além disso, alguns utilizadores ainda escrevem o código. Guardam-no na carteira, numa nota no telemóvel, ou até no próprio cartão disfarçado de número aleatório. Os criminosos conhecem bem este hábito e procuram-no ativamente.

Como criar um PIN mais forte que ainda consiga memorizar

Um PIN sólido não precisa de ser “inteligente” nem sofisticado. Precisa apenas de fugir a padrões óbvios e a detalhes ligados diretamente à sua vida pessoal.

Erros comuns de PIN a evitar

  • Nada de 1234, 1111, 0000, 2222 ou códigos semelhantes de “todos os dígitos iguais”.
  • Nada de sequências como 1230, 2345, 6789 ou 1212.
  • Nada de datas de nascimento suas, do/a parceiro/a ou dos seus filhos.
  • Nada de ano de nascimento, ano de conclusão de estudos ou ano de casamento.
  • Nada de números de morada, dígitos de telefone ou referências à matrícula do carro.
  • Nada de código igual ao de outro cartão, telemóvel ou aplicação que use.

Um método simples para criar um PIN mais seguro

Pode gerar um código mais aleatório sem usar um gerador. Um método é partir de uma frase que só você conhece e mapeá-la para números. Por exemplo, pegue nas primeiras letras de uma frase e converta-as usando mentalmente o layout do teclado numérico. O objetivo não é perfeição criptográfica, mas imprevisibilidade para um desconhecido.

Procure um PIN que, no início, pareça ligeiramente estranho de memorizar. Se parecer demasiado “certinho”, um criminoso também pode achá-lo certinho.

Depois de escolhido, nunca guarde esse código em texto simples no telemóvel ou na carteira. Se tiver mesmo dificuldade em memorizar, use uma aplicação de gestor de palavras-passe bem protegida e guarde lá uma pista, em vez do número completo.

Hábitos diários que protegem a sua conta

Um PIN forte só ajuda quando é combinado com comportamento cuidadoso. Pequenas rotinas tornam o roubo do cartão e a captura do PIN muito mais difíceis.

Lista de verificação de segurança do cartão

  • Cubra o teclado com a mão enquanto introduz o PIN.
  • Fique encostado ao terminal ou ao multibanco para bloquear visões laterais.
  • Evite multibancos com peças soltas, acessórios estranhos ou ranhuras danificadas.
  • Recuse ajuda de desconhecidos em caixas multibanco, mesmo que pareçam simpáticos.
  • Verifique regularmente a sua conta bancária por canais oficiais.
  • Ative alertas imediatos para pagamentos e levantamentos, quando possível.

Verificações frequentes da conta muitas vezes fazem a diferença entre uma perda pequena, reembolsada, e um pesadelo prolongado. Detetar um pagamento desconhecido de 20 £ num site aleatório pode revelar que o número do seu cartão foi exposto antes de alguém tentar um levantamento maior.

Quanto mais cedo reagir a uma transação suspeita, menos margem os burlões têm para testar novos truques na sua conta.

O que fazer se o seu cartão for roubado ou se detetar fraude

Quando um cartão desaparece ou um pagamento parece desconhecido, cada minuto conta. Bancos e redes de cartões dão-lhe ferramentas, mas funcionam melhor quando age rapidamente.

Passo O que fazer Porque é importante
1. Bloquear o cartão Use a app do banco ou o número de emergência para congelar ou cancelar. Evita novos pagamentos ou levantamentos.
2. Alertar o seu banco Ligue para o apoio ao cliente e reporte a fraude ou roubo com detalhe. Ativa verificações internas e prepara o reembolso.
3. Recolher provas Guarde extratos, recibos e quaisquer mensagens ou e-mails estranhos. Sustenta a sua reclamação se o banco fizer perguntas.
4. Apresentar queixa à polícia Denuncie o roubo do cartão ou fraude grave às autoridades locais. Cria um registo oficial e ajuda investigações.

As regras de cartões de crédito e débito normalmente protegem as vítimas, e os bancos muitas vezes reembolsam pagamentos não autorizados. Só podem recusar quando têm motivos fortes para acreditar que o titular agiu com negligência grave, como partilhar o PIN com outra pessoa ou escrevê-lo no cartão.

Truques online agora também visam o seu PIN

O roubo físico é apenas uma parte da história. Grupos criminosos combinam roubo de cartões com armadilhas digitais. Sites bancários falsos, e-mails enganosos e SMS de burla tentam levá-lo a introduzir o seu PIN numa página que parece quase verdadeira.

Kits de phishing tornaram-se baratos e fáceis de usar. Um criminoso já não precisa de programar do zero. Pode comprar modelos que copiam o design de grandes bancos e enviar e-mails em massa com mensagens do tipo: “urgente: o seu cartão será bloqueado se não confirmar o seu PIN”. Assim que o introduz, eles associam esse código aos dados do seu cartão obtidos por outra via.

Nunca partilhe o seu PIN online, por telefone ou por SMS. Bancos legítimos não pedem esse código fora de um terminal de pagamento ou de um multibanco.

Algumas burlas também combinam chamadas telefónicas e SMS. Um interlocutor pode fingir ser da equipa antifraude do seu banco, avisar sobre atividade suspeita e depois insistir para que “verifique” os dados do cartão e o PIN. O sentido de urgência serve para contornar a sua prudência habitual.

Porque este risco vai continuar a crescer

Pagamentos contactless, carteiras móveis e transferências instantâneas tornaram as compras mais rápidas. Também aumentaram o valor de um único comprometimento bem-sucedido. Um ladrão com o seu cartão e o seu código pode movimentar dinheiro rapidamente por vários canais antes de os sistemas sinalizarem algo como anormal.

Ao mesmo tempo, dados divulgados circulam amplamente em mercados clandestinos. Se os criminosos já souberem o seu nome, morada e data de nascimento devido a outra fuga de dados, ganham várias pistas extra para adivinhar um PIN óbvio. Isso dá-lhes vantagem contra quem reutilizou números pessoais por hábito.

As futuras melhorias de segurança não eliminam a necessidade de um código sólido. Mesmo com os bancos a promoverem biometria e autenticação mais forte, quatro dígitos num terminal continuam a estar entre um ladrão e as suas poupanças. Trate esses dígitos como trataria uma chave de casa, não como uma formalidade casual.

Um exercício prático pode revelar a sua exposição. Imagine perder a carteira num comboio cheio. Um desconhecido, com os seus cartões e uma rápida vista de olhos às suas redes sociais públicas, conseguiria adivinhar o seu PIN em poucas tentativas? Se a resposta estiver desconfortavelmente perto de “sim”, o momento de mudar esse código é agora - não depois de surgir um levantamento contestado no seu extrato.

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