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Psicólogos explicam porque o multitasking parece produtivo, mas na verdade não é.

Homem a trabalhar num portátil, a segurar um telemóvel na mão e a escrever num papel, com café ao lado.

On a todos já vivemos aquele momento em que fazemos malabarismo entre vinte janelas abertas, uma reunião em videochamada e uma conversa no WhatsApp, enquanto um e-mail “URGENTE” aparece a vermelho.

No papel, sentimo-nos quase heróicos, como se estivéssemos a pilotar uma torre de controlo invisível. Na realidade, algo estala: pormenores que nos escapam, nomes que se apagam, um cansaço estranho ao fim do dia. E, apesar disso, continuamos a dizer em voz alta: “Estou em modo multitarefa, vai correr bem”.

Este bailado dá a ilusão de uma vida cheia, ligada, eficiente. Os sons pequenos, as notificações e as janelas que se abrem funcionam como mini-fogos de artifício no cérebro. Dizemos a nós próprios: “Olha tudo o que estou a fazer ao mesmo tempo, eu mereço o meu lugar neste mundo apressado”. No entanto, quando olhamos friamente para o que ficou realmente concluído, o quadro é menos glorioso. Há um desfasamento silencioso entre o que sentimos e o que conseguimos.

Introdução de cerca de 150 palavras, escrita como uma cena vivida ou uma observação humana. Termina com uma frase curta que intriga.

Porque é que o teu cérebro adora a multitarefa… e secretamente a odeia

Imagina uma mulher no comboio das 7:42 para Londres. Portátil aberto num relatório em Excel, auriculares nos ouvidos para uma reunião no Teams, e o polegar a responder a mensagens de voz no grupo de amigos. Sente um orgulho estranho, como se cada gesto provasse que tem a vida sob controlo. O comboio avança, a paisagem passa, e a lista de tarefas parece encolher quase por magia.

Quando chega a Waterloo, porém, tem a mandíbula tensa, os ombros rígidos. O relatório está a meio. As notas da reunião estão confusas. Respondeu aos amigos, sim, mas em três frases apressadas. Quando tenta lembrar-se do que o chefe realmente pediu durante a chamada, é como tentar agarrar fumo. No papel, esteve ocupada durante 45 minutos. Na realidade, quase nada ficou verdadeiramente terminado.

Os psicólogos chamam a este fosso a “ilusão de produtividade”. O nosso cérebro não está, de facto, a fazer várias tarefas complexas ao mesmo tempo; está a alternar rapidamente entre elas. Cada mudança tem um custo metabólico: um pequeno imposto sobre a atenção, a memória e a energia emocional. Estudos de Stanford e da Universidade de Londres mostram que quem faz muita multitarefa tem pior desempenho em testes de concentração e até obtém pontuações mais baixas em testes de QI quando está a gerir tarefas em paralelo. O mais cruel é que também acredita que é melhor do que os outros a fazer multitarefa. O cérebro confunde “muita actividade” com “progresso real”. E essa confusão mantém-nos presos.

O que os psicólogos dizem que está realmente a acontecer na tua cabeça

Aqui vai a verdade desconfortável: o teu cérebro tem um foco muito estreito. Os psicólogos descrevem a atenção mais como o feixe de uma lanterna do que como um holofote. Quando fazes “multitarefa”, essa lanterna não fica subitamente mais larga. Apenas tremelica, frenética, de um objecto para outro. Cada tremelicar custa uma lasca de tempo e energia. Sozinho, parece insignificante. Ao longo de um dia, é uma fuga no sistema.

Um estudo famoso da American Psychological Association estimou que a alternância entre tarefas pode desperdiçar até 40% do tempo produtivo de uma pessoa. Outro concluiu que, após uma interrupção, podem ser necessários mais de 20 minutos para voltar totalmente ao nível original de concentração. Imagina que estás a escrever um relatório importante, recebes um aviso no Slack, olhas para o telemóvel, espreitas um e-mail e depois voltas ao relatório. Na tua linha temporal, passaram apenas segundos. Dentro do teu cérebro, o “tempo de carregamento” reinicia várias vezes. Não admira que tudo pareça lento.

O cérebro também guarda contexto numa “área de trabalho” mental frágil e de curta duração. Quando passas de uma folha de cálculo para o Instagram e depois para um chat no Teams, estás a esvaziar e a recarregar essa área de trabalho repetidamente. Os psicólogos falam de “resíduo de atenção”: um fantasma da tarefa anterior que fica a pairar sobre a seguinte. Esse resíduo impede-te de aterrar por completo. Escreves o e-mail, mas uma parte de ti ainda está no story do Instagram que acabaste de ver. Assististe à reunião, mas um canto da tua mente continua a roer aquela folha de cálculo inacabada. O resultado é uma sensação estranha e constante de estares atrasado na tua própria vida.

Como ter a boa sensação de progresso - sem a armadilha da multitarefa

O antídoto mais poderoso é quase embaraçosamente simples: faz uma coisa de cada vez, mas transforma isso num acto visível, quase teatral. Fecha todas as janelas excepto a que estás a usar. Põe o telemóvel noutra divisão ou dentro de uma mala. Escreve num Post-it, em letras grandes, a única tarefa em que estás: “Terminar slides 3–8”, “Ligar à mãe”, “Responder ao James”. Esse Post-it torna-se a tua âncora mental enquanto o resto do mundo grita por atenção.

Começa com micro-blocos de foco. Quinze minutos. Não uma hora, não uma sessão perfeita de “trabalho profundo” tirada de um livro de produtividade. Apenas uma pequena fatia em que o teu cérebro se sente seguro: sem alternar, sem verificar. Quando os quinze minutos acabarem, risca algo fisicamente. Traça uma linha. Sublinhe a marcador fluorescente. O teu cérebro tem fome dessa sensação de realização. Dá-lha em doses concentradas, em vez de uma chuvinha fina espalhada por dez tarefas abertas.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Vais distrair-te, vais voltar a abrir o WhatsApp, vais espreitar a caixa de entrada “só por via das dúvidas”. A questão não é perfeição, é direcção. Cada vez que regressas à tua tarefa única, estás a treinar um músculo que se atrofiou silenciosamente com anos de notificações. Fazer uma coisa de cada vez não é uma melhoria moral; é uma forma prática de deixar de queimar energia em ecrãs de carregamento invisíveis. Os psicólogos lembram frequentemente aos pacientes que a atenção é um recurso finito, não um traço de personalidade. Não és fraco por achares isto difícil. És humano num sistema que lucra com a tua distracção.

“A multitarefa não é um distintivo de honra”, diz a psicóloga cognitiva Dra. Gloria Mark. “É um imposto sobre o teu cérebro que te enganaram a pagar.”

  • Limita a multitarefa a combinações genuinamente simples (como caminhar e ouvir um podcast).
  • Protege trabalho complexo com blocos curtos de foco, sem telemóvel.
  • Usa pistas visíveis (Post-its, temporizadores, listas de verificação) para dar ao teu cérebro a recompensa de “terminei alguma coisa”.
  • Trata cada notificação como uma escolha, não como uma ordem.
  • Repara em como o teu corpo se sente depois de um dia a alternar versus um dia com foco.

Repensar o que “ser produtivo” parece

Há um guião cultural a sussurrar que “ocupado é igual a valioso”. A multitarefa encaixa nessa história na perfeição. Parece impressionante em escritórios em open space e nos feeds do LinkedIn. Respondes a e-mails em tempo recorde, saltas entre salas de Zoom, actualizas dashboards em tempo real. Por fora, a performance parece afiada. Por dentro, o teu cérebro está a sobreaquecer em silêncio. Muita gente só dá conta quando começa a deixar cair coisas simples: nomes, prazos fáceis, tarefas básicas que antes fazia sem esforço.

Os psicólogos sugerem inverter o guião: em vez de perguntares “Quanto é que estou a fazer ao mesmo tempo?”, pergunta “Quão presente estou no que estou a fazer?” Essa pergunta pode soar quase subversiva num mundo construído à base de alertas e sobreposições. Pode significar demorar mais a responder, ou deixar um separador fechado enquanto terminas outra coisa. Pode parecer errado ao início, quase preguiçoso. Ainda assim, muita gente percebe que, quando aposta num foco genuíno e sem diluição, o trabalho fica mais limpo, mais rápido e menos cansativo. O dia deixa de parecer um borrão de sprints meio acabados.

Experimenta observar-te durante uma única tarde como um observador silencioso. Nota as micro-trocas: o olhar rápido para o telemóvel a meio de uma frase, o impulso de “só verificar” uma coisa, o separador que abres sem sequer te lembrares porquê. Nada disto significa que estás avariado ou fraco. Mostra apenas quão profundamente a multitarefa reprogramou a forma como nos movemos no tempo. Quando vês o padrão, é difícil deixar de o ver. E é geralmente aí que a mudança começa.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
O cérebro não faz multitarefa a sério Alterna rapidamente entre tarefas, com um custo a cada mudança Perceber por que razão a fadiga aumenta enquanto a produtividade estagna
A multitarefa cria uma ilusão de progresso Confundimos actividade constante com avanço real nas prioridades Ajudar a identificar dias “cheios” mas pouco satisfatórios
O foco visível (uma tarefa de cada vez) tranquiliza o cérebro Blocos curtos, Post-its, tarefas claramente concluídas Dar gestos concretos para recuperar foco e energia

FAQ

  • A multitarefa não é necessária em alguns trabalhos? Alguns papéis exigem alternância rápida, como apoio ao cliente ou serviços de emergência, mas mesmo aí os melhores profissionais agrupam tarefas e protegem períodos curtos de foco sem interrupções quando podem.
  • Porque é que a multitarefa sabe tão bem se é tão dispendiosa? A alternância constante activa pequenos picos de novidade e dopamina, que são recompensadores no momento, mesmo quando a produção global e a clareza diminuem.
  • Posso treinar o meu cérebro para ficar melhor em multitarefa? A investigação sugere que podes melhorar a rapidez com que recuperas após mudanças, mas existe um limite rígido: tarefas complexas sofrem sempre quando feitas em simultâneo.
  • Ouvir música enquanto trabalho conta como multitarefa? Música instrumental ou muito familiar pode funcionar para trabalho rotineiro; letras e playlists a mudar tendem a competir com a linguagem e a atenção, sobretudo ao escrever ou resolver problemas.
  • Qual é uma pequena mudança que posso experimentar esta semana? Escolhe uma tarefa diária que importe, define um temporizador de 15 minutos, silencia as notificações e faz apenas isso. Nota como te sentes em comparação com o teu modo habitual de “tudo ao mesmo tempo”.

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