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Pessoas nos seus 60 e 70 anos que mantêm hábitos tradicionais dizem ser mais felizes do que adultos jovens focados na tecnologia.

Idosos e jovens escrevem numa mesa de madeira, com ambiente acolhedor ao fundo, incluindo roupa estendida e louça.

Numa manhã de terça-feira, num café sossegado, uma mulher no final dos seus 60 anos abriu um jornal do tamanho de um cartaz, enquanto três jovens de vinte e poucos anos, na mesa ao lado, faziam scroll nos telemóveis em completo silêncio. Ela leu, sublinhou uma pista de palavras cruzadas com uma caneta a sério e depois levantou os olhos e comentou o tempo com o barista. Riram-se. Os miúdos, de cabeça baixa sobre os ecrãs, nem sequer olharam para cima.
Uma pequena cena, quase nada. E, no entanto, o ambiente à volta dela parecia mais leve, menos tenso, mais… assente.

Ela acabou o café devagar e saiu sem tirar uma única fotografia.
O rosto dela parecia estranhamente relaxado.

Porque é que hábitos à antiga vencem discretamente vidas hiperconectadas

Passe tempo com pessoas na casa dos 60 e 70 anos e rapidamente repara numa coisa: os dias delas têm contornos. Há manhã, tarde, noite. Ler, caminhar, encontrar-se com alguém às 15h em ponto. Não às 15h mais “eu mando mensagem quando chegar”.

Grande parte da vida delas ainda assenta em hábitos antigos que parecem quase rebeldes em 2026. Telefonam em vez de mandar DM. Mantêm agendas em papel. Chegam mais cedo. Estas rotinas não ficam impressionantes no Instagram, mas tendem a formar uma espinha dorsal silenciosa.

E essa espinha dorsal, como muitos psicólogos estão agora a descobrir, está profundamente ligada ao quão felizes as pessoas dizem sentir-se.

Pergunte a adultos mais velhos com saúde razoável e uma rotina estável como andam de humor, e ouve-se a mesma frase vezes sem conta: “Estou contente.”

Um grande estudo europeu sobre envelhecimento reportou que pessoas com mais de 65 anos que tinham passatempos offline regulares e rituais sociais definidos (como jogos de cartas semanais, ensaios de coro ou idas ao mercado) pontuavam significativamente mais alto na satisfação com a vida do que adultos mais novos colados ao telemóvel durante 4+ horas por dia. O detalhe surpreendente: o nível de rendimento mal alterava o resultado.

O que importava era esta mistura de estrutura, contacto presencial e prazeres sensoriais simples. Do tipo que não vibram nem apitam.

Parte da explicação é quase aborrecida na sua simplicidade. Hábitos à antiga limitam decisões. Não passa 20 minutos a escolher uma app de meditação se já tem uma rotina de caminhada tranquila depois do jantar. Não faz scroll por conteúdo infinito se vai encontrar-se com amigos às 19h para jogar cartas.

Cada uma dessas âncoras “pequenas” poupa energia mental e baixa o ruído de fundo. Os adultos mais novos, pelo contrário, vivem num buffet constante de opções digitais, todas a gritar por atenção.

Menos escolha e um ritmo mais lento podem parecer ultrapassados por fora. Por dentro, sentem-se como oxigénio.

Os hábitos específicos “à antiga” que parecem proteger a felicidade

Um dos hábitos mais poderosos é o ritmo semanal fixo. Muitas pessoas nos seus 60 e 70 anos guardam-no como um tesouro. Compras na segunda de manhã. Natação à quarta. Almoço à sexta com um antigo colega. Telefonema ao domingo a um irmão ou irmã.

Pode copiar isto sem fingir que está reformado. Comece com um único ritual offline recorrente. À mesma hora, no mesmo dia, com a mesma estrutura de baixa pressão. Uma caminhada semanal com um amigo. Uma regra de “sem ecrãs depois das 21h” à quinta-feira. Um almoço fixo com os seus pais.

No papel parece pequeno. Vivido por dentro, este ponto de previsibilidade acalma o sistema nervoso e dá forma à semana.

Outro hábito clássico: recados lentos, sem distrações. Não fazer doomscroll na fila do supermercado. Não responder a três emails enquanto mexe a sopa. Pessoas mais velhas que reportam maior bem-estar muitas vezes protegem tempo de “uma coisa de cada vez” quase sem pensar nisso.

Vê-se quando uma pessoa de 70 anos conversa com o farmacêutico e se lembra do nome dele. Ou quando um avô observa um neto a desenhar, sem filmar cada segundo no telemóvel. Estes momentos minúsculos constroem micro-laços sociais e presença.

Os adultos mais novos sabotam isto frequentemente sem dar por isso. Preenchem cada silêncio com um podcast, mensagens, notificações. O dia parece cheio e, ainda assim, estranhamente plano.

Os psicólogos por vezes chamam ao que muitos idosos têm “vida de baixo atrito”. Hábitos à antiga cortam drama desnecessário. Escrevem listas de compras à mão, para não se esquecerem das coisas e terem de sair a correr outra vez. Pagam contas no mesmo dia todos os meses. Guardam moradas num caderno, não em dez apps diferentes.

Isto não é sobre ser um robô organizado da produtividade. É sobre reduzir pequenos pontos de stress que, acumulados, corroem o humor. O cérebro nunca foi desenhado para gerir tantas abas, digitais e mentais.

Quando esses micro-stresses descem, sobra mais espaço para desfrutar - mesmo em dias muito banais.

Como “roubar” estes hábitos sem andar para trás

Não precisa de atirar o telemóvel a um lago para sentir os benefícios destas rotinas antigas. Comece com um ritual analógico que lhe pareça ligeiramente antiquado e estranhamente atraente: escrever uma breve entrada de diário antes de dormir; tomar um café de verdade de manhã, sem ecrã; ligar a uma pessoa por semana, só voz, sem vídeo.

Proteja esse ritual como protegeria uma reunião de trabalho. Ponha-o no calendário. Trate-o como não negociável durante um mês.

O que está realmente a fazer é ensinar o seu sistema nervoso que nem tudo tem de ser reativo, barulhento e “a pedido”.

Há uma armadilha em que muitos adultos mais novos caem quando tentam “viver mais como pessoas mais velhas”: transformam isto num projeto de autoaperfeiçoamento. O bullet journal, a rotina perfeita das 5 da manhã, a caminhada ao pôr do sol otimizada. Depois, claro, sentem culpa quando falham um dia.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. As pessoas nos seus 70 anos que está a admirar já faltaram ao coro, saltaram caminhadas, jantaram em frente à televisão. Simplesmente voltam aos seus hábitos na semana seguinte, em silêncio.

O objetivo não é a pureza. O objetivo é que a sua vida tenha uma coluna vertebral - não que nunca se dobre.

Pessoas mais velhas descrevem muitas vezes a sua felicidade com palavras simples: “suficiente”, “normal”, “calmo”. Uma enfermeira reformada de 72 anos disse-me: “Toda a gente anda a perseguir excitação. Eu persigo paz. E, até agora, a paz está a ganhar.”

  • Hábito à antiga: rituais semanais fixos
    Podem parecer aborrecidos, mas reduzem a ansiedade e acrescentam estabilidade.
  • Hábito à antiga: passatempos offline, partilhados
    De jogos de cartas a coro, oferecem pertença sem algoritmos.
  • Hábito à antiga: manhãs e noites previsíveis
    Rotinas simples ao acordar e ao deitar apoiam um descanso mais profundo e humores mais estáveis.
  • Ajuste digital: ligação seletiva, não constante
    Use a tecnologia como ferramenta, não como papel de parede para cada segundo vazio.
  • Mudança interior: valorizar “o suficiente” em vez de “mais”
    Esta mentalidade aumenta discretamente a satisfação do dia a dia.

Repensar como é uma “vida boa” num mundo barulhento

Se fizer zoom out, o contraste é impressionante. De um lado: adultos mais novos hiperconectados, ricos em novidade, pobres em descanso. Do outro: adultos mais velhos com menos tecnologia, menos escolhas, mas mais rituais e mais tempo cara a cara. E, muitas vezes, mais felicidade reportada.

A questão não é tanto a idade; é o desenho. De quem é a vida construída para ser vivível dia após dia, e não apenas espetacular em vídeos de melhores momentos? Que hábitos protegem a atenção, em vez de a vender minuto a minuto?

Talvez as partes quietas e “pouco cool” da vida sejam onde a satisfação se esconde. A caminhada repetida à volta do mesmo quarteirão. O café rotineiro com o mesmo vizinho. O recado escrito à mão colado no frigorífico.

Estas coisas não entram em tendência. Não se tornam virais. E, no entanto, parecem construir um sentido interior de “estou bem aqui” que muitas pessoas mais novas desejam em segredo.

Não precisa de copiar a vida dos seus avós. Mas talvez queira roubar-lhes os melhores truques.

Da próxima vez que vir alguém nos seus 60 ou 70 anos a fazer algo que parece encantadoramente ultrapassado, pode valer a pena perguntar: e se isso for o futuro, não o passado? E se o caminho em frente num mundo pesado de tecnologia for, paradoxalmente, recuperar alguns hábitos analógicos, lentos, teimosamente humanos?

A experiência é simples. Fique com o seu smartphone. Fique com as suas apps. Depois acrescente um ritual estável, um bloco de tempo sem ecrã, um pequeno passatempo offline. Veja o que muda no seu humor ao fim de um mês.

E se notar um pouco mais de paz, um pouco menos de pressão, terá a sua resposta.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Rotinas à antiga trazem estrutura Rituais semanais fixos e manhãs/noites previsíveis reduzem a fadiga de decisão Ajuda a estabilizar o humor e a baixar a ansiedade do dia a dia
Contacto social offline vence o scroll constante Interações regulares, presenciais, criam pertença sem sobrecarga digital Apoia uma felicidade mais profunda do que o consumo passivo de conteúdo
Pequenos hábitos analógicos são suficientes Diário, listas em papel, recados lentos e telefonemas são fáceis de adotar Dá formas realistas de se sentir melhor sem mudanças drásticas de vida

FAQ:

  • Preciso de deixar as redes sociais para sentir estes benefícios? Não. A ideia é acrescentar âncoras offline sólidas, não viver como se fosse 1975. Mesmo um ou dois rituais protegidos sem ecrãs podem mudar a forma como se sente.
  • E se o meu trabalho for totalmente online? Então o seu tempo fora do trabalho importa ainda mais. Tente reservar uma atividade diária totalmente analógica: uma caminhada, um livro, um passatempo que use as mãos.
  • Os adultos mais novos podem mesmo ser menos felizes apesar de terem mais opções? Sim. A investigação sobre “sobrecarga de escolha” mostra que opções infinitas muitas vezes aumentam stress e arrependimento. Rotinas mais antigas reduzem essa sobrecarga.
  • Qual é um hábito à antiga que posso começar esta semana? Um simples: escolha uma hora fixa por semana para ligar a alguém de quem gosta. Sem mensagens, só voz. Ponha no calendário e trate como uma marcação.
  • Isto não é apenas nostalgia do passado? Não exatamente. Não se trata de andar para trás, mas de pedir emprestado hábitos comprovados e de baixa tecnologia que apoiam a saúde mental num mundo de alta tecnologia.

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