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Pavimento escorregadio e neve: Regras para limpar passeios

Pessoa espalha granulado na neve com uma pá; balde e saco de granulado ao lado, bicicleta e casas ao fundo.

Em muitas localidades, a primeira verdadeira vaga de frio de janeiro já levou os residentes a correrem à procura de pás, areia/saibro antiderrapante e botas quentes. A questão de saber quem tem de limpar o quê - e com que rapidez - decide se as pessoas chegam ao trabalho em segurança ou se acabam a discutir com seguradoras e autarquias.

Quem é responsável quando os passeios ficam gelados?

Na Alemanha, como em muitos países europeus, o dever de remover neve e gelo não se limita à câmara municipal. As autarquias tratam geralmente das estradas públicas, mas a responsabilidade pelos passeios em frente às casas recai muitas vezes sobre os proprietários e, nalguns casos, sobre os inquilinos, se o contrato de arrendamento lhes atribuir essa tarefa.

Os proprietários podem ser responsabilizados se alguém escorregar num passeio por limpar e sofrer lesões, incluindo custos médicos e indemnização por danos não patrimoniais.

A lei alemã estabelece uma obrigação geral de manter as vias de circulação seguras, mas os pormenores constam de regras regionais e até municipais. Este mosaico de regulamentos leva a rotinas diárias muito diferentes de uma rua para outra.

Numa cidade como Hanôver, por exemplo, o dever de limpar a neve e espalhar material antiderrapante aplica-se, nos dias úteis, das 7h às 22h e, aos domingos e feriados, das 8h às 22h. Se nevar durante a noite, a primeira ronda de limpeza tem, em regra, de ser feita de manhã cedo. Quando a neve continua a cair ou a água do degelo volta a congelar, os residentes têm de repetir o trabalho ao longo do dia.

Porque é que o horário importa para a responsabilidade

Os tribunais na Alemanha analisam muitas vezes o que uma pessoa “razoável” poderia ter feito. Se chover gelado às 3h, ninguém espera que um morador esteja no exterior, no escuro, com uma vassoura. Pelas 8h ou 9h, sobretudo num dia útil, os juízes assumem normalmente que os passeios devem estar seguros para quem vai trabalhar e para as crianças que vão para a escola.

Os regulamentos municipais podem acrescentar mais detalhes. Alguns especificam a largura exata que tem de ser desobstruída para que peões e carrinhos de bebé se consigam cruzar. Outros exigem que se limpe até ao lancil, para que os passageiros possam entrar e sair de autocarros ou carros em segurança.

Não limpar não só aumenta o risco de ações cíveis por parte de peões lesionados; muitas autarquias também podem aplicar coimas por incumprimento das regras de serviço de inverno.

Como limpar corretamente: mais do que pegar numa pá

Limpar um passeio parece simples, mas o método muitas vezes decide se o percurso se mantém seguro ou se se transforma num piso escorregadio poucas horas depois.

Regras comuns para um percurso de inverno seguro

  • Remover a neve assim que for praticável após parar de cair, especialmente nas horas de maior movimento de manhã.
  • Empurrar a neve para a berma do passeio, sem bloquear entradas de garagem, ciclovias ou sarjetas.
  • Espalhar areia, saibro/gravilha ou pedra britada sobre o gelo remanescente para criar aderência.
  • Voltar a verificar o percurso quando as temperaturas descem ao fim da tarde ou à noite.
  • Organizar ajuda de substituição se estiver ausente, for idoso(a) ou não tiver condições físicas para usar a pá.

Em ruas de moradias em banda e em blocos de apartamentos, os vizinhos coordenam cada vez mais por grupos de chat para partilhar o trabalho. Uma pessoa pode tratar da ronda da manhã antes do trabalho, enquanto outra volta a verificar o passeio após o anoitecer, quando o recongelamento costuma começar.

Porque muitas cidades desaconselham o sal

Só com pás nem sempre se consegue lidar com gelo compactado. A solução rápida parece óbvia: espalhar sal e deixar a química fazer o resto. No entanto, muitas localidades alemãs restringem fortemente - ou até proíbem - o uso de sal em passeios públicos.

O sal derrete o gelo de forma eficiente, mas prejudica árvores, arbustos, a vida do solo, as patas dos animais de estimação, veículos e até sapatos; muitos regulamentos locais tratam-no como último recurso e não como ferramenta padrão.

Quando o sal derrete neve e gelo, a água salgada infiltra-se no solo. Com o tempo, isto fragiliza árvores, enfraquece sebes e pode matar plantas mais sensíveis ao longo das ruas. A projeção de sal também se deposita em carros estacionados e guardas metálicas, acelerando a corrosão. Para cães e gatos, a lama salgada irrita e racha as almofadas das patas. Os residentes acabam então por pagar ao veterinário em vez de comprarem mais um saco de saibro.

Alternativas ao sal para espalhar material antiderrapante

Material Principal vantagem Principal desvantagem
Areia Cria aderência, barata e amplamente disponível Pode entupir sarjetas, precisa de ser varrida na primavera
Saibro / gravilha / pedra britada Aderência muito durável, funciona com frio intenso Desconfortável para ciclistas, pode riscar o chão quando trazida para dentro
Pedra de lava granulada Leve, reutilizável, boa tração Custa mais do que a areia comum

Muitas autarquias recomendam misturar materiais finos e grossos: areia fina para preencher irregularidades na superfície do gelo e grãos maiores para uma tração forte. Algumas lojas de bricolage vendem misturas “de inverno” prontas, rotuladas como sem sal e adequadas às regras municipais.

Quando um vizinho não limpa o passeio

Uma única frente de casa negligenciada pode interromper o trajeto seguro ao longo de uma rua. Os residentes muitas vezes hesitam em queixar-se, especialmente em comunidades próximas, mas uma conversa breve pode evitar lesões.

Especialistas jurídicos aconselham uma abordagem por etapas: falar primeiro com o vizinho e, se a situação continuar perigosa, informar a autoridade municipal responsável pela ordem pública ou a empresa de gestão do edifício. Inquilinos que pagam encargos de serviços podem ter fundamento para contestar faturas se um serviço de inverno prometido nunca aparecer.

Os peões não devem assumir que todos os caminhos são seguros; o comportamento tem um papel importante na prevenção de acidentes de inverno, mesmo quando existem regras de limpeza.

A “marcha do pinguim” e outros truques de segurança

As campanhas de segurança na Alemanha promovem agora fortemente a chamada “marcha do pinguim” para condições de gelo. A imagem é simples e ligeiramente divertida, o que ajuda as pessoas a lembrá-la.

  • Dar passos curtos e lentos, em vez de passadas longas.
  • Assentar o pé inteiro no chão, em vez de apoiar primeiro o calcanhar.
  • Virar os pés ligeiramente para fora para alargar a base de apoio.
  • Inclinar ligeiramente a parte superior do corpo para a frente, para que o centro de gravidade passe sobre a perna da frente.
  • Manter as mãos livres, sem sacos pesados, para se conseguir apoiar se escorregar.

Esta forma de caminhar coloca mais peso sobre o pé da frente em vez de ficar atrás. Se ocorrer um escorregão, as pessoas caem normalmente para a frente e ainda conseguem proteger-se com as mãos ou os joelhos. Isso pode significar nódoas negras em vez de uma lesão grave nas costas ou na cabeça.

O que inquilinos e senhorios precisam de verificar agora

A confusão de regras levanta questões práticas para arrendatários e proprietários. Muitos contratos de arrendamento na Alemanha transferem o dever de inverno do senhorio para o inquilino, muitas vezes a par da limpeza das escadas ou da colocação dos caixotes do lixo no exterior.

Os especialistas recomendam fazer três verificações rápidas no início do inverno:

  • Ler o contrato de arrendamento: quem, exatamente, tem de limpar o passeio e espalhar material antiderrapante?
  • Perguntar na autarquia quais são as janelas horárias específicas e as restrições ao sal.
  • Esclarecer com os vizinhos quem cobre que secção, sobretudo em lotes de esquina.

Os senhorios que subcontratam o trabalho a um prestador de serviços devem manter prova do acordo e monitorizar o desempenho. Se o prestador não aparecer e alguém se lesionar, os tribunais podem ainda assim responsabilizar o proprietário por não supervisionar devidamente o acordo.

Para além dos passeios: riscos associados no inverno

O dever de tornar os caminhos seguros liga-se a perigos de inverno mais amplos. Carambanos pendurados nos telhados podem soltar-se e cair sobre os passeios. A água do degelo proveniente de beirais mal isolados pode pingar, congelar e formar faixas escondidas de “gelo negro” ao longo do percurso. Calhas entupidas com folhas de outono fazem com que a água caia diretamente no chão onde as pessoas caminham.

Proprietários que combinam a remoção de neve com verificações básicas da drenagem reduzem tanto o risco de quedas como danos materiais. Desobstruir tubos de queda, redirecionar água que pinga e assinalar pontos extremamente escorregadios com sinais temporários pode limitar reclamações e lesões.

Para as famílias, o inverno também é uma oportunidade para ensinar crianças e adolescentes sobre responsabilidade partilhada. Deixar os mais velhos tratarem de um pequeno troço do passeio, com uma pá adequada e luvas, mostra como hábitos privados protegem a segurança pública. Ao mesmo tempo, os adultos podem dar o exemplo com formas de caminhar mais seguras e calçado sensato, em vez de escolhas de moda arriscadas em manhãs geladas.

As autarquias analisam os dados de acidentes todos os anos para ajustarem as suas orientações. Se um determinado cruzamento ou percurso escolar continuar a gerar quedas, os municípios podem alargar as suas próprias rotas de espalhamento de material antiderrapante ou apertar as regras de horário para as propriedades adjacentes. Para os residentes, acompanhar de perto estas regras em mudança pode significar menos surpresas legais quando chegar a próxima vaga de frio.

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