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Nunca volte a comprar estas plantas: podem atrair percevejos para sua casa.

Pessoa examina girassol em vaso com uma lupa, rodeada de outras plantas num parapeito iluminado pelo sol.

Mais pessoas levam plantas para dentro de casa para alegrar apartamentos pequenos, melhorar o ar e criar um lar mais calmo. Poucas se apercebem de que algumas flores com ar inocente podem facilitar a vida a pragas, incluindo percevejos-da-cama, que já estão a ressurgir em muitas cidades.

Porque é que os percevejos-da-cama voltaram subitamente a preocupar

Os percevejos-da-cama fizeram um regresso claro por toda a Europa e a América do Norte na última década. As viagens internacionais, o mobiliário em segunda mão e a resistência a pesticidas ajudam-nos a espalhar. Escondem-se nas costuras dos colchões, nas estruturas das camas, nos rodapés e nas tomadas elétricas. Deslocam-se durante a noite para se alimentarem de sangue humano e voltam a desaparecer antes do nascer do sol.

Então, onde entram as plantas? Por si só, as plantas não “criam” percevejos-da-cama. Estes insetos continuam a precisar de hospedeiros humanos para sobreviver. Mas certas plantas podem fornecer abrigo, humidade e esconderijos próximos que encaixam perfeitamente na sua rotina. Quando já vive num prédio infestado ou viaja com frequência, as plantas erradas podem transformar um problema menor numa infestação persistente.

Certas plantas populares não atraem percevejos-da-cama como um íman, mas podem tornar a sua casa uma base muito mais confortável para eles.

As três plantas em que deve pensar duas vezes

O meio espanhol Okdiario destacou recentemente três espécies comuns que tendem a trazer problemas: girassóis, camomila e dentes-de-leão. Situam-se numa zona cinzenta onde os insetos prosperam, e isso pode acabar por favorecer percevejos-da-cama e outras pragas domésticas.

Girassóis: bonitos, sujos e muito convidativos

Os girassóis têm um ar alegre em salas e varandas, o que explica a sua presença crescente em interiores. No entanto, largam muito material orgânico: pólen, pétalas e restos de sementes. Todos esses detritos acumulam-se nos vasos, nos pratos e nas fendas próximas, onde pequenos insetos se instalam e se escondem.

Os girassóis:

  • retêm humidade em solo denso que se mantém húmido durante longos períodos
  • criam zonas de sombra atrás dos vasos e debaixo das folhas
  • incentivam a presença de pequenos artrópodes que partilham habitats com os percevejos-da-cama

Os percevejos-da-cama não se alimentam de plantas, mas seguem as pessoas. Quando as plantas ficam perto de sofás, camas de hóspedes ou cadeiras-cama, oferecem micro-esconderijos adicionais. Em conjunto com cortinas e alcatifas, um grande vaso de girassol pode dar às pragas um labirinto perfeito onde desaparecer.

Camomila: de remédio natural a foco de insetos

A camomila aparece muitas vezes em cantos de bem-estar, perto de cadeirões de leitura ou em quartos. O cheiro acalma as pessoas, mas a planta pode atrair uma variedade de insetos minúsculos que se instalam nas flores e no solo. Mosquitos dos fungos e outros bichos pequenos aproveitam o substrato húmido, enquanto o pólen e as partes em decomposição alimentam microrganismos.

Os percevejos-da-cama sentem-se atraídos por locais onde as pessoas descansam e dormem, não pela camomila em si. Quando coloca estas plantas mesmo ao lado da cama, multiplica pequenas fendas e dobras escuras onde os insetos podem esperar sem serem incomodados entre refeições.

Um canto de leitura acolhedor com um cadeirão macio, cortinas grossas e um vaso de camomila ao lado oferece quase tudo o que uma colónia de percevejos-da-cama precisa: hospedeiros, abrigo e silêncio.

Dentes-de-leão: aspeto selvagem, companhia selvagem

Os dentes-de-leão às vezes são cultivados no interior pelo seu aspeto rústico ou pelas folhas comestíveis. No entanto, comportam-se como verdadeiras plantas silvestres. Semeiam-se facilmente, largam penugem e deixam caules e folhas que secam e se desfazem à volta do vaso. Todo esse lixo orgânico retém humidade e pode albergar ácaros ou outras pragas.

Em edifícios multifamiliares onde os percevejos-da-cama já circulam, estes pequenos ecossistemas acrescentam cobertura extra. Fendas no chão, rodapés mal selados e a base de um vaso de dente-de-leão podem alinhar-se num caminho contínuo para os insetos se espalharem de divisão em divisão.

Plantas que, em vez disso, ajudam a afastar pragas

O mesmo artigo aponta também um facto mais tranquilizador: algumas plantas funcionam como aliadas naturais contra visitantes indesejados. Certas espécies aromáticas libertam compostos de que muitos insetos não gostam, tornando-se úteis quando vive numa zona urbana densa ou num apartamento ao nível do rés do chão.

Lavanda: não serve só para gavetas perfumadas

A lavanda liberta óleos essenciais fortes a partir das folhas e das flores. Traças, moscas e alguns escaravelhos tendem a evitar este aroma. Embora os dados científicos sobre percevejos-da-cama e lavanda sejam limitados, muitos profissionais de controlo de pragas referem que fragrâncias intensas podem perturbar a forma como os insetos localizam hospedeiros.

Lavanda em interior:

  • liberta um cheiro duradouro que, até certo ponto, mascara odores humanos
  • pode ajudar a reduzir a presença de certos insetos voadores
  • encaixa bem em peitoris soalheiros perto de quartos ou salas

Citronela e outros repelentes aromáticos

A citronela, muitas vezes usada em velas, também funciona como planta em vaso. O seu aroma a limão incomoda mosquitos e vários outros insetos. Colocada perto de varandas, janelas abertas ou portas envidraçadas, cria uma pequena barreira olfativa que reduz o número de insetos que entram casualmente em casa nas noites de verão.

Usar as plantas certas como primeira linha de defesa permite adiar químicos agressivos e manter controlo sobre o que circula no ar que respira.

Os verdadeiros benefícios das plantas de interior, para lá das pragas

Focar apenas nos riscos perderia uma parte importante da história. As plantas de interior trazem vantagens claras quando as escolhe e posiciona com bom senso. Algumas espécies ajudam a remover compostos orgânicos voláteis, como benzeno ou formaldeído, do ar interior, segundo vários estudos laboratoriais, ainda que o efeito em casas típicas varie.

Opções populares para esse fim incluem a palmeira-areca, que tolera bastante bem divisões secas e aquecidas. Folhas grandes capturam pó, enquanto as raízes e os micróbios no substrato podem transformar alguns poluentes. As plantas também oferecem alívio visual em espaços apertados ou muito urbanos, quebrando linhas duras e luz artificial.

Psicólogos associam a presença de verde no interior a menor stress percecionado, melhor concentração e humor mais estável. Uma simples fila de plantas numa bancada de cozinha ou um exemplar grande no canto de um estúdio pode suavizar a sensação do espaço, sobretudo quando se trabalha a partir de casa.

…e as desvantagens de que muita gente se esquece

As plantas de interior não servem apenas para fotografias no Instagram. Também têm desvantagens reais quando são mantidas sem cuidado, sobretudo em casas pequenas com crianças ou animais de estimação.

Riscos de toxicidade para mãos e patas curiosas

Várias plantas decorativas comuns contêm substâncias que irritam o trato digestivo ou a pele de humanos e animais. Espécies de Ficus e azevinho, por exemplo, podem causar náuseas, vómitos ou cólicas abdominais se forem ingeridos. Gatos e cães por vezes mordiscam folhas por tédio, enquanto bebés e crianças pequenas agarram tudo o que está ao alcance.

Planta Risco Quem deve ter cuidado
Ficus (planta-da-borracha, figueira-chorona) Perturbações digestivas, irritação da pele Crianças, gatos, cães
Azevinho Náuseas, vómitos, diarreia Crianças, animais de estimação
Dieffenbachia Ardor na boca, inchaço Crianças, animais de estimação

Manter estas espécies em altura, fora do alcance, ou escolher alternativas mais seguras costuma resolver o problema. Ainda assim, muitos novos donos de plantas esquecem-se de verificar listas de toxicidade antes de encherem carrinhos nos centros de jardinagem.

Humidade, bolor e “residentes secundários” indesejados

Cada rega acrescenta humidade ao interior. Em apartamentos secos, isto pode ajudar a aliviar as vias respiratórias e reduzir eletricidade estática. Em casas já húmidas, especialmente mais antigas e com fraca ventilação, coleções grandes de plantas podem empurrar a humidade para níveis acima do confortável.

A humidade extra pode favorecer:

  • crescimento de bolor em paredes e tetos
  • esporos de fungos no substrato dos vasos
  • colónias de mosquitos dos fungos e outros insetos pequenos

Estes efeitos secundários não geram diretamente percevejos-da-cama, mas multiplicam esconderijos e complicam o controlo de pragas. Quando a humidade sobe, alguns moradores mantêm as janelas fechadas com mais frequência, o que prende calor e odores e transforma quartos em abrigos noturnos ideais para insetos que caçam pessoas durante o sono.

Como escolher plantas quando se preocupa com percevejos-da-cama

Escolher verde seguro não exige um curso de botânica. Exige, isso sim, uma rápida avaliação de risco. Antes de comprar qualquer planta nova, pergunte a si próprio onde a pretende colocar, que tipo de ambiente vai criar e quão perto ficará de camas e sofás.

Hábitos úteis incluem:

  • manter vasos altos ligeiramente afastados de cabeceiras e mobiliário estofado
  • evitar solo húmido e denso que nunca chega a secar
  • remover rapidamente folhas e pétalas caídas para não se acumularem junto aos rodapés
  • verificar a parte de baixo dos vasos e dos pratos à procura de insetos ao regar
  • colocar plantas novas em quarentena durante duas semanas num corredor ou casa de banho

Pense nas plantas novas como numa peça de mobiliário vintage: atraente, mas merece uma inspeção cuidadosa antes de ganhar um lugar permanente no quarto.

O que fazer se suspeitar que já há percevejos-da-cama

Se acorda com pequenas picadas com comichão em linha ou em grupos, ou repara em minúsculos pontos pretos e manchas de sangue nos lençóis, reaja rapidamente. Lave a roupa de cama a alta temperatura, aspire devagar ao longo das costuras do colchão e da estrutura da cama e inspecione fendas à volta da cama. As plantas perto das zonas de dormir também devem ser verificadas, não por alimentarem os insetos, mas porque vasos e tabuleiros os escondem facilmente.

Os profissionais de controlo de pragas usam hoje tratamentos térmicos, inseticidas direcionados e inspeções detalhadas para quebrar infestações. Informá-los sobre a sua coleção de plantas de interior ajuda-os a planear a visita e a decidir quais os vasos a mover, tratar ou, em alguns casos, descartar.

Ir mais longe: desenhar um jardim de interior “consciente de pragas”

Com algum planeamento, pode criar um canto de plantas que seja bonito, apoie o seu bem-estar e não ofereça “imobiliário gratuito” às pragas. Pense em camadas: plantas aromáticas como lavanda e citronela junto a aberturas, plantas mais resistentes e purificadoras de ar um pouco mais para dentro, e espécies decorativas de baixo risco nos quartos.

Rodar vasos, podar folhagem densa e manter um registo simples de regas pode reduzir de forma surpreendente bolsas de humidade escondidas. Quando trata o seu jardim interior como um sistema vivo e não como decoração estática, deteta cedo mudanças: murchidão, bolor ou pequenos insetos. Essa mesma vigilância ajuda a apanhar os primeiros sinais de percevejos-da-cama antes de se transformarem num pesadelo que o obriga a deitar fora colchões e a cancelar visitas de amigos.

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