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Nem Nivea nem Neutrogena: especialistas elegem novo hidratante número um.

Pessoa a aplicar loção nas mãos numa casa de banho, com toalha e produtos de cuidados na bancada.

Nivea à esquerda, Neutrogena à direita, etiquetas de preço a gritar sob luz fluorescente. Uma mulher com gabardina bege ficou imóvel, com o telemóvel aberto numa página de Instagram de uma dermatologista, a deslizar por “top 10 hidratantes” como se fosse um manual de sobrevivência.

Atrás dela, um rapaz novo de sweatshirt com capuz pegou discretamente no mesmo creme de sempre, aquele que usava há anos, o que a mãe lhe comprava quando ele tinha quinze. Ao lado, um homem de fato murmurou ao farmacêutico: “Algo para pele seca… mas sem ficar gorduroso. Tenho reuniões.”

E, no entanto, escondido entre as marcas grandes, havia outro frasco. Um nome mais pequeno, um rótulo mais calmo, quase tímido. E é esse que os especialistas em pele estão, em silêncio, a empurrar para o topo da lista.

Nem Nivea nem Neutrogena: a ascensão discreta de um hidratante “aborrecido”

Os dermatologistas têm dado pistas em podcasts, em palcos de conferências, e naquelas recomendações meio sussurradas que só se ouvem se fizer a pergunta extra no fim da consulta. O novo hidratante número um que continuam a mencionar não é o que aparece com uma campanha gigante no seu feed do Instagram. É o que parece quase genérico: CeraVe Moisturizing Cream.

No papel, não é sexy. Não há planta exótica de uma ilha remota. Não há tampa em ouro rosa. Só um creme branco e espesso, carregado de ceramidas e ácido hialurónico, quieto no meio dos boiões brilhantes. Ainda assim, quando se pergunta aos especialistas o que usam pessoalmente em casa, a CeraVe volta a aparecer, vezes sem conta.

Há algo quase subversivo nisso. Enquanto o mercado empurra “glow drops” e “glass skin”, os dermatologistas continuam a regressar a um creme com ar de básico de farmácia. E essa contradição diz muito sobre o que realmente funciona numa pele real - cansada, reativa.

Olhe para os números e o quadro fica mais claro. Nos últimos anos, a CeraVe explodiu nas pesquisas do Google e no TikTok, mas essa onda começou com especialistas, não com influenciadores. Muitos dermatologistas começaram por recomendá-la a doentes com tendência para eczema e depois viram familiares, amigos e, sim, eles próprios, a adotá-la discretamente.

Uma dermatologista de Nova Iorque descreveu-nos um padrão familiar: doentes que experimentam cinco ou seis cremes “de luxo”, reagem ao perfume ou a óleos essenciais e depois, a contragosto, experimentam a CeraVe “só por agora” - e nunca mais voltam atrás. É a versão skincare de descobrir que as suas calças de ganga favoritas não são as de designer, mas sim aquelas resistentes, de gama média, compradas à pressa.

Todos já tivemos aquela manhã: manchas vermelhas nas bochechas, repuxar à volta da boca, base a agarrar-se a peles secas. Quando a pele está assim, a marca deixa de importar. Só quer algo que apague o incêndio. A CeraVe foi desenhada para esse momento, não para um slogan de campanha.

Há uma razão lógica para os especialistas continuarem a colocar este creme tão alto no ranking. Pele saudável não é um filtro de brilho; é uma barreira forte. Essa barreira é feita de lípidos, incluindo ceramidas - e toda a identidade da CeraVe assenta em repor exatamente isso. Enquanto clássicos mais antigos como a Nivea dependem de oclusivos pesados como óleo mineral, a CeraVe acrescenta ingredientes estruturais que a pele realmente usa para se reconstruir.

Os dermatologistas explicam muitas vezes com uma metáfora simples: a barreira cutânea é como uma parede de tijolos. A hidratação é a água por trás dela. Produtos agressivos removem o “cimento” entre os tijolos, a água foge e os irritantes entram. As ceramidas são esse cimento. Um creme carregado delas não fica apenas “à superfície”; ajuda a reparar a parede.

Sob a luz fluorescente de uma clínica, isso significa menos microfissuras, menos vermelhidão, melhor tolerância a ativos como retinol ou vitamina C. Numa casa de banho às 7:15 da manhã, significa maquilhagem mais uniforme, menos sensação de repuxar às 16:00, e sair ao vento sem as bochechas “gritarem”. Benefícios discretos, mas muito palpáveis.

Como os especialistas usam mesmo a CeraVe (e o que gostavam que as pessoas deixassem de fazer)

Pergunte a três dermatologistas como aplicam a CeraVe Moisturizing Cream e vai ouvir algo quase ridiculamente simples: aplicam-na com a pele húmida. Só isso. Duche, secar suavemente o rosto e o corpo com toalha e, depois, massajar uma pequena quantidade enquanto ainda há uma película fina de água na superfície.

Este “sanduíche de hidratação” - água primeiro, creme depois - retém a hidratação em vez de tentar criá-la do zero. Alguns aplicam por cima de um sérum hidratante com glicerina ou ácido hialurónico à noite. Outros misturam uma quantidade do tamanho de uma ervilha com o retinol para amortecer a irritação. Uma dermatologista de Londres até mantém um tubo pequeno no carro, só para mãos e nós dos dedos depois do ataque do desinfetante.

Usado assim, o creme deixa de ser um hidratante simples e transforma-se numa espécie de escudo diário, sobretudo no inverno ou em escritórios sobreaquecidos e com ar condicionado. Nada glamoroso. Apenas uma pele que não “grita”.

Onde as coisas costumam correr mal não é no produto, mas na rotina à volta dele. Muita gente combina a CeraVe com detergentes/gel de limpeza demasiado agressivos, ou esfrega o rosto com esfoliantes granulados e depois espera que um creme resolva o estrago numa noite. Sejamos honestos: ninguém faz mesmo isto todos os dias, em modo “rotina perfeita” cirúrgica.

Os especialistas suspiram frequentemente com os mesmos erros: esfoliação em excesso, saltar entre dez produtos diferentes num mês, ou usar CeraVe só nas bochechas enquanto a testa e o nariz descamam debaixo de ativos fortes. Uma dermatologista disse-nos que passa metade das consultas a repetir uma frase: “Use menos coisas, mas use todos os dias.”

O hidratante é a parte silenciosa da rotina. Só funciona se o resto dos cuidados não estiver constantemente a abrir buracos na barreira. É por isso que tantos especialistas recomendam um “mês de reset”: limpeza suave, creme CeraVe, protetor solar. Nada mais. Deixar a parede reconstruir-se.

Quando pedimos a uma dermatologista francesa para resumir porque é que a CeraVe destronou os clássicos no armário da casa de banho, ela não falou de tendências nem de branding.

“A minha pele não quer saber de marketing”, riu-se. “Quer saber é se ainda arde às 15:00. A CeraVe é o creme que faz a minha cara esquecer que tem pele.”

Uma afirmação assim pode soar quase brutal, mas faz eco em quem reagiu a fragrâncias, óleos essenciais ou ativos “naturais” que deixaram mais vermelhidão do que luminosidade. Um hidratante que desaparece para segundo plano pode parecer um luxo por si só.

Para ser mais fácil copiar o “manual” dos especialistas em casa, aqui fica um retrato rápido de como tendem a usar este creme “aborrecido”:

  • À noite, como último passo após qualquer tratamento (como retinol), para amortecer a irritação.
  • Duas vezes por dia durante “meses de reparação da barreira” quando a pele se sente em carne viva ou sobretratada.
  • Nas mãos, pescoço e decote, além do rosto - zonas esquecidas que envelhecem mais depressa.
  • Em camada espessa nas zonas muito secas, como uma mini máscara noturna.
  • Em crianças com pele seca e sensível, porque a fórmula é simples e sem fragrância.

O que este “número um” diz sobre a forma como escolhemos skincare agora

O facto de um hidratante simples de farmácia como a CeraVe estar a ser colocado acima de nomes históricos como Nivea ou Neutrogena conta uma história maior. Não é só um creme a ganhar um concurso. É as pessoas a cansarem-se de malabarismos com promessas de marketing e a quererem um produto que, simplesmente, faça a pele voltar a sentir-se normal.

Nesse sentido, a ascensão da CeraVe parece uma rebelião silenciosa. Contra rotinas de 10 passos que lhe devoram a manhã. Contra boiões que cheiram a perfumaria mas ardem quando a pele já está frágil. Contra a ideia de que o cuidado tem de parecer luxuoso para ser eficaz. Muitos leitores descrevem um alívio estranho na primeira mudança: menos produtos, menos passos, mais calma no espelho.

Por isso, este “novo número um” não é apenas uma tendência que desaparece com a próxima campanha da estação. É um sinal de que estamos a aprender, devagar, a ler listas de ingredientes, a ouvir dermatologistas quando falam de barreira cutânea, a aceitar que, às vezes, a escolha mais inteligente é a menos glamorosa da prateleira.

E talvez seja essa a revolução silenciosa que está a acontecer nas nossas casas de banho neste momento.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
CeraVe à frente de Nivea e Neutrogena Muitos dermatologistas referem a CeraVe Moisturizing Cream como a sua escolha n.º 1 Ajuda a orientar a compra para um produto validado por especialistas
Lógica “barrier-first” Ceramidas + textura simples que reforçam a barreira cutânea no dia a dia Menos vermelhidão, menos repuxar, rotina mais estável
Uso minimalista mas regular Rotina curta: limpeza suave, CeraVe, SPF, repetidos todos os dias Poupa tempo, menos despesas, resultados mais fiáveis na pele

FAQ

  • A CeraVe é mesmo melhor do que a Nivea ou a Neutrogena para toda a gente?
    Não para absolutamente toda a gente, mas os dermatologistas gostam dela porque é sem fragrância, rica em ceramidas e, em geral, muito bem tolerada, especialmente em pele sensível ou com barreira comprometida.
  • Posso usar CeraVe Moisturizing Cream em pele oleosa ou com tendência acneica?
    Sim, muitos doentes com acne usam-na, sobretudo à noite. Comece com uma pequena quantidade, aplique na pele ligeiramente húmida e observe como os poros e o brilho reagem ao longo de 2–3 semanas.
  • Ainda preciso de um sérum se estiver a usar este creme?
    Não necessariamente. Para muita gente, um produto de limpeza suave, o creme CeraVe e um bom protetor solar chegam para manter a pele saudável. Os séruns são um extra opcional, não uma obrigação.
  • A CeraVe funciona bem por baixo da maquilhagem?
    Sim, em camadas finas. Deixe assentar alguns minutos antes de aplicar a base para absorver e evitar “pilling”, especialmente se usar primers à base de silicone.
  • Posso usar CeraVe no corpo, além do rosto?
    Absolutamente. Muitos especialistas recomendam o mesmo boião para rosto, mãos, cotovelos e pernas, sobretudo no inverno ou em zonas com tendência para eczema.

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