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LG G5: vale a pena pagar pelo preço deste topo de gama OLED? (análise)

Pessoa a retirar película de um televisor numa sala iluminada, com mesa de madeira e planta ao fundo.

A primeira vez que vês a LG G5 numa sala de estar escura, nem parece uma TV.

É apenas um enorme rectângulo preto na parede, quase a desaparecer na pintura. Depois alguém carrega no play num trailer de filme em 4K e o ecrã acorda - pretos de tinta, reflexos néon, tons de pele que parecem quase desconfortavelmente reais. Duas ou três pessoas inclinam-se para a frente sem sequer se aperceberem.

Depois chega o outro momento que todos conhecemos bem: alguém pergunta “Então… quanto é que custou?” e a sala fica em silêncio durante meio segundo. Porque isto é um OLED topo de gama, com um preço naquela zona do “estás a falar a sério?” para a maioria das famílias. A LG G5 quer claramente ser a TV com que sonhas, não apenas a que compras em promoção. A verdadeira pergunta é mais simples e mais brutal.

Vale mesmo esse dinheiro?

Design, imagem e o primeiro murro no estômago

A LG G5 é daquelas TVs que mudam uma divisão antes mesmo de se ligarem. O painel é fino, as molduras mal existem, e o design pensado para montagem na parede faz com que pareça mais um quadro digital emoldurado do que um bloco de electrónica. Não reparas apenas na imagem - reparas na ausência de volume.

Quando acende, o primeiro impacto vem do contraste. Os pretos caem no vazio, os realces saltam como pequenos pontos de luz solar, e o painel OLED parece quase tridimensional, de uma forma que as TVs LED ainda têm dificuldade em igualar. É o tipo de ecrã que faz o streaming parecer subitamente barato… ou surpreendentemente premium, dependendo da fonte que lhe dás.

Passei uma noite a alternar entre uma TV LCD económica e a LG G5 com a mesma conta Netflix. No ecrã mais barato, uma cena escura de The Batman parecia plana e lamacenta, com os rostos quase indistintos do fundo. Na G5, gotas de chuva individuais brilhavam sob as luzes da rua e os detalhes do fato do Batman destacavam-se sem esmagar as sombras.

O que mais me marcou foi a reacção de toda a gente na sala. Sem discurso, sem explicação técnica. Apenas um “uau” baixinho e aquele olhar fixo e silencioso que as pessoas fazem quando o cérebro está a fazer contas entre o que estão a ver e aquilo a que estão habituadas. É uma reacção pura, quase infantil.

Tecnicamente, a G5 sustenta isto com um pico de brilho forte para HDR, pretos OLED profundos e cores muito precisas logo de origem. O novo processador aposta forte no upscaling, a melhorar conteúdos de menor resolução sem te enfiar no “efeito telenovela”.

O input lag é suficientemente baixo para gaming a sério em consola, e as portas HDMI 2.1 suportam modos de alta taxa de fotogramas. Tens uma TV pronta para PS5, Xbox Series X e gaming rápido em PC sem ajustes insanos. Em termos de preço, porém, a G5 nada nas mesmas águas que a própria série G topo de gama da LG e rivais de peso da Samsung e da Sony. Por isso, a equação de valor depende do que realmente vês - e do que esperas sentir todas as noites quando carregas no botão de ligar.

Viver com a G5: prazer diário ou exagero caro?

Se nunca tiveste um OLED premium, a G5 muda a tua rotina diária mais do que imaginas. De repente, começas a baixar as luzes só para ver um vídeo aleatório no YouTube. A TV de fundo volta a ser um “evento”, mesmo que seja apenas um programa de culinária ou um resumo de futebol. É aí que este modelo justifica discretamente o seu lugar na parede.

A interface webOS é mais fluida do que nas gerações antigas da LG, com menos soluços e menus mais responsivos. Apps como Netflix, Disney+ e Prime Video parecem nativas, não “coladas por cima”. Continua a existir o comando Magic Remote da LG, que algumas pessoas adoram e outras acham piroso, mas torna a navegação em menus longos surpreendentemente rápida.

Numa noite de semana atarefada, vi uma família testar a G5 como se a estivesse mesmo a usar no dia a dia. Um miúdo abriu o Fortnite, outro pôs um documentário de natureza em 4K HDR, os pais alternaram entre uma app de notícias e uma série em streaming. Ninguém falou de nits ou de gama de cor. Falaram de como era fácil saltar entre coisas e de como o jogo “parecia mais suave” comparado com a TV antiga.

Os fãs de desporto na sala focaram-se no movimento. Durante um jogo de futebol rápido, a bola mantinha-se nítida e os contornos dos jogadores não se desfaziam num borrão. Mesmo sem mexer em todas as definições avançadas, o processamento de movimento de origem não foi distrativo. É algo que se sente num domingo à tarde, não apenas num teste de laboratório.

E aqui está o lado silencioso da história: a LG pensou claramente no uso a longo prazo. As preocupações com burn-in em OLED são hoje menos dramáticas graças a deslocamento de píxeis e funcionalidades de protecção do ecrã. Continuas a não querer deixar um ticker de notícias estático o dia todo, mas para uso misto, a G5 inclina-se muito para o “seguro no mundo real”. Isto importa quando estás a investir um dinheiro que podia comprar um carro em segunda mão decente.

Como decidir se a LG G5 vale a pena para ti

A forma mais limpa de avaliar a G5 é dividir a decisão em três perguntas. Primeiro: quanto do teu tempo livre vai para filmes, séries ou gaming? Se a TV é o teu centro principal de entretenimento, o preço da G5 começa a diluir-se por centenas de horas de uso, e cada sessão sabe um pouco mais especial.

Segundo: de que é que estás a fazer upgrade? Se vens de um LCD económico com cinco anos, o salto vai parecer dramático. Cores, contraste e movimento vão transformar os teus hábitos de visualização. Se já tens um OLED topo de gama recente, a G5 é mais refinamento do que revolução.

Terceiro: és sensível à qualidade de imagem ou focas-te mais em funcionalidades? Há pessoas que genuinamente não querem saber se o preto é perfeito ou “bom o suficiente”, desde que a TV tenha todas as apps. Outras notam banding, blooming e artefactos de movimento instantaneamente e não conseguem “desver”. Se pertences ao segundo grupo, a G5 entrega uma espécie de calma visual que os modelos mais baratos têm dificuldade em oferecer, sobretudo numa sala escura.

Dicas práticas, orçamentos reais e o que verificar em loja

Antes de atirares o cartão à G5, há um método simples que ajuda. Vai a uma loja que tenha a G5 ao lado de OLEDs e LEDs mais baratos. Pede para desactivarem o modo “demo” ou “vivid” e para colocarem todas as TVs num perfil semelhante, tipo standard ou cinema. Depois afasta-te e vê a mesma cena em cada uma durante cinco minutos.

Não fiques só a olhar para as partes mais brilhantes. Observa roupa escura, rostos, sobreposições de texto e panorâmicas lentas de câmara. Se os teus olhos continuam a voltar para a G5 sem esforço, é sinal de que o upgrade importa para ti. Se mal consegues ver diferença face a um OLED mais barato, a tua carteira pode agradecer que ouças esse sinal.

Sê honesto também com o teu orçamento. É fácil deixares-te levar à frente de uma parede de ecrãs brilhantes. Define em casa um tecto máximo e mantém-no presente. Se a G5 te estica ao ponto de ficares ressentido, a magia acaba depressa.

Sejamos honestos: ninguém passa realmente as noites a calibrar cada modo de imagem à perfeição. É por isso que queres que uma TV como a G5 tenha excelente aspecto logo de origem num modo Filme ou Cinema. Podes afinar depois, mas a experiência de base já deve parecer premium.

Outra armadilha é focares-te só na TV e esqueceres tudo o que a rodeia. Um OLED topo de gama como a G5 pode expor de forma brutal streaming de má qualidade, Wi‑Fi fraco e iluminação pobre. Se a tua ligação à internet tem dificuldade em manter um stream 4K estável, vais estar a pagar por um ecrã Ferrari para conduzir em primeira.

Pensa também na tua sala. Se tens janelas enormes e luz natural constante, parte da magia do OLED em cenas escuras fica lavada. Isso não mata o valor da G5, mas muda-o. Talvez passes a valorizar mais o controlo de reflexos e as definições de brilho do que esperavas.

“Uma TV premium não é só sobre especificações; é sobre quantas vezes transforma silenciosamente uma noite normal em algo que recordas.”

Há ainda a questão do som. O áudio integrado da G5 é aceitável para uso diário, com boa clareza e alguns truques de surround virtual, mas não substitui uma soundbar dedicada ou um sistema de colunas. Vê-o como “chega para o dia a dia” sozinho e “muito capaz” quando combinado com áudio externo.

Para manter as coisas simples quando estiveres a comparar ofertas ou à espera de uma promoção, ajuda ter uma pequena lista mental:

  • A imagem ainda te impressiona com conteúdo real, e não apenas loops de demo?
  • A diferença de preço face a um OLED mais barato justifica-se para o teu uso?
  • O teu orçamento aguenta a TV mais uma futura soundbar, se necessário?
  • A parede, o mobiliário e a luz da tua sala combinam com o design fino, estilo galeria, da G5?
  • Vais continuar a sentir-te bem com esta compra daqui a três anos, e não só nos primeiros três dias?

O que a LG G5 realmente oferece: para lá das specs e das manchetes

Gastar este tipo de dinheiro numa TV não é, para a maioria das pessoas, um exercício racional de folha de cálculo. É uma aposta emocional em como queres que sejam as tuas noites, fins-de-semana e momentos partilhados em casa. É aí que a LG G5 joga silenciosamente a sua melhor carta. Não se limita a mostrar conteúdo; muda o ambiente da sala.

Num domingo à tarde com amigos, um jogo de futebol em 4K na G5 parece mais perto de estar no estádio do que esperarias de “apenas uma TV”. Numa noite sozinho com um thriller escuro, os pretos do OLED puxam-te para dentro da história de uma forma que retroiluminações baratas simplesmente não conseguem. E no gaming, a baixa latência e o HDR nítido transformam cutscenes em mini-filmes.

A questão é que nem toda a gente precisa deste nível de imersão todos os dias. Se o tempo de TV em tua casa é sobretudo ruído de fundo enquanto deslizas no telemóvel, a G5 vai ser um investimento a mais. Se és do tipo que planeia noites de cinema, discute color grading, ou simplesmente adora aquele “uau” sempre que o ecrã acorda, então o preço começa a parecer menos loucura e mais um mimo a longo prazo.

A LG G5 ocupa esse espaço subtil onde o luxo encontra o quotidiano. Não é uma escolha racional para toda a gente - e isso é normal. A pergunta não é “é a melhor TV do mundo?”, mas “melhora de forma significativa a maneira como vives as tuas noites?”. Essa é uma conversa que vale a pena ter com as pessoas que realmente se vão sentar no sofá contigo.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Imagem OLED topo de gama Pretos profundos, forte brilho HDR, cores fiéis Perceber concretamente como é o salto de qualidade
Uso no dia a dia Interface fluida, boa para filmes, desporto e gaming Imaginar a vida real com a G5 na sala
Relação preço/valor TV cara, mas compensa se for muito usada e apreciada Ajudar a decidir se o investimento faz sentido para o orçamento

FAQ

  • A LG G5 é mesmo melhor do que um OLED de gama média? Sim, sobretudo no pico de brilho, no processamento e no refinamento geral - mas o salto sente-se mais se vês muitos filmes HDR ou jogas em consolas de nova geração.
  • A G5 vai sofrer de burn-in em OLED? Com uso normal e misto, o risco é baixo graças às funcionalidades de protecção da LG; deixar logótipos ou interfaces estáticos o dia todo continua a ser má ideia.
  • O som integrado é suficiente sem soundbar? É decente para o dia a dia, com vozes claras, mas uma soundbar ou colunas desbloqueiam a experiência de cinema que a imagem merece.
  • A LG G5 funciona bem numa sala luminosa? Sim, o brilho é forte para um OLED, embora reflexos e luz natural muito intensa possam reduzir o impacto desses pretos perfeitos.
  • Quem é que deve comprar a LG G5? Pessoas que vêem muitos filmes e séries, se importam profundamente com a qualidade de imagem, ou jogam frequentemente em consolas topo de gama - e que estão confortáveis com o preço premium.

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