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Jardineiros devem agir já pelos pisco-de-peito-ruivo: coloque hoje este ingrediente barato da cozinha.

Passarinho ao lado de tigela com sementes em mesa de madeira, enquanto mãos humanas adicionam mais sementes.

A luz já se estava a apagar quando o primeiro pisco-de-peito-ruivo apareceu, caindo como um minúsculo cometa acastanhado na beira do relvado. Com a respiração suspensa no ar frio, paraste com o cesto da reciclagem ainda na mão, a ver aquele passarinho inclinar a cabeça, a escutar o mais pequeno som na terra. O jardim, que no verão parecia atarefado e cheio de vida, de repente parecia despido. Sem bagas. Sem bichos. Só relva gelada e um lampejo faminto de vermelho-alaranjado.

Provavelmente voltaste para dentro, fechaste a porta e pensaste: “Coitadinho, há de encontrar alguma coisa.”

Mas esta noite, esse pisco-de-peito-ruivo está a depender de ti mais do que imaginas.

Porque é que os piscos-de-peito-ruivo estão, de repente, desesperados pela tua ajuda

Por todo o Reino Unido, os piscos-de-peito-ruivo atravessam as semanas mais difíceis precisamente quando as nossas tardes escurecem mais cedo. As minhocas de que gostam estão mais fundas na terra, as fontes naturais de sementes ficam esgotadas, e os insetos que antes pairavam junto às sebes e canteiros desapareceram em silêncio. Da janela da cozinha, o jardim pode parecer tranquilo. Para um pisco, isto está mais perto de uma emergência diária.

É por isso que grupos de proteção da vida selvagem começaram a dar o alerta e a pedir aos jardineiros que ajam - não no próximo mês, não este fim de semana, mas hoje. Uma coisinha minúscula e barata do teu armário pode ser a diferença entre uma ave sobreviver à noite ou gastar as últimas reservas de gordura.

Passa uns minutos no exterior ao anoitecer e vais notar o mesmo padrão. Um pisco a seguir as tuas pegadas como uma pequena sombra esperançosa. A saltitar para o cabo da pá. A pousar numa vedação, a fitar o pátio como se a comida pudesse aparecer por magia.

Uma leitora de Leicester contou-me que saiu para pôr o caixote do lixo na rua e encontrou um pisco praticamente debaixo das botas, “como se estivesse a tentar mudar-se para minha casa”. Espalhou o que tinha à mão - um punhado de migalhas - e viu a ave limpar tudo em menos de um minuto. Não era fofo. Era urgente.

Os piscos gastam energia depressa, sobretudo com tempo frio e húmido. O corpo trabalha a dobrar só para manter aquele pequeno motor a uma temperatura segura durante a noite. Quando raspamos os pratos para o lixo ou deitamos restos diretamente no contentor dos biorresíduos, estamos literalmente a deitar fora calorias que podem salvar a vida das aves mesmo ali, do outro lado do vidro.

É por isso que tantos especialistas falam do “intervalo de fome” nesta altura do ano. A comida natural cai a pique, mas os nossos jardins não entram automaticamente para preencher esse vazio. Sem um pouco de intervenção humana, os piscos são obrigados a ir mais longe, voar mais tempo e arriscar mais predadores por menos recompensa. Alguns gramas do alimento certo, agora, mudam completamente essa equação.

O básico de cozinha de 3p que o teu pisco-de-peito-ruivo está à espera esta noite

O herói inesperado de toda esta história é ridiculamente simples: flocos de aveia simples, crus. O saco humilde, a “3p por porção”, esquecido no fundo do armário, é exatamente o que esse pisco espera que ponhas lá fora esta noite.

Polvilha uma pequena pitada de aveia num tabuleiro baixo, num pires de vaso ou até numa pedra plana, e coloca-o num sítio suficientemente aberto para a ave conseguir detetar predadores, mas suficientemente perto para conseguires ver da janela. Depois afasta-te. Em poucos minutos, muitos jardineiros relatam o mesmo: um lampejo de laranja, um bater de asas suave, e os flocos desaparecem um a um num bico muito agradecido.

Nem toda a aveia é igual, contudo. O que queres é aveia simples, sem açúcar - a mais barata de marca branca do supermercado serve perfeitamente. Sem açúcar, sem mel, sem chocolate, sem saquetas instantâneas com sabores. Esses extras são para humanos, não para aves, e podem fazer mais mal do que bem.

Também não precisas de uma montanha de aveia. Uma ou duas colheres de chá, espalhadas finamente, chegam para um ou dois piscos numa tarde/noite. Demasiada quantidade num jardim húmido fica pastosa, atrai ratos e acaba desperdiçada. Sejamos honestos: ninguém pesa isto numa balança de cozinha. Uma pitada solta entre os dedos é o ideal.

Há também uma espécie de disciplina silenciosa neste gesto. Assim que começas a oferecer aveia, os piscos aprendem a tua rotina - e reparam quando simplesmente te esqueces três noites seguidas. Não stresses se falhares um dia, mas não encares isto como uma novidade.

“As pessoas acham que alimentar aves é um extra acolhedor de inverno”, diz um voluntário de um centro local de resgate de fauna selvagem, “mas para os piscos no fim do outono, esse pequeno prato de aveia pode ser o único amortecedor que têm contra uma noite gelada.”

  • Usa: Flocos de aveia simples e sem açúcar (sem sabores, sem açúcar)
  • Evita: Aveia cozinhada, sobras salgadas ou saquetas instantâneas pegajosas
  • Coloca: Num local baixo e aberto, perto de abrigo, onde os gatos sejam fáceis de ver
  • Hora: Ao fim da tarde ou início da noite, antes de escurecer por completo
  • Reforça: Pequenas quantidades, pouco e muitas vezes, não um monte grande uma vez por semana

Para lá de hoje: transformar um polvilhar rápido num pequeno santuário

Depois de espalhares a primeira pitada de aveia e veres um pisco reclamar aquilo, algo muda. O jardim deixa de ser “lá fora” e passa a parecer terreno partilhado. Começas a reparar de onde a ave aparece, que arbusto usa como posto de vigia, que canto do relvado patrulha vezes sem conta.

Esse gesto simples, vindo da tua cozinha, torna-se a semente de uma pergunta maior: que tipo de lugar queres que este pedaço de terra seja daqui a três meses - ou três anos?

A partir daí, os passos são pequenos, mas poderosos. Colocar um prato raso de água sobre um tijolo. Deixar um canto mais desarrumado com folhas e caules secos onde os insetos se possam esconder. Plantar na próxima primavera um arbusto que dê bagas. Nada disso custa muito mais do que o saco de aveia. E, no entanto, cada medida reduz o pânico na procura diária daquele pisco, transformando o teu jardim de um corredor frio num ponto de paragem fiável no seu percurso.

E, depois de veres uma ave eriçada contra o vento, ainda assim a encontrar o suficiente por causa de algo que fizeste, é difícil voltar a fingir que o jardim “simplesmente está ali” e não é também uma responsabilidade silenciosa tua.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Alimenta com flocos de aveia simples esta noite Aveia barata e sem açúcar do teu armário, espalhada em pequenas quantidades ao anoitecer Forma imediata e de baixo custo de ajudar piscos famintos a aguentar noites frias
Cria um local de alimentação seguro Usa um tabuleiro ou pires numa zona aberta, com boa visibilidade e baixo risco de gatos Dá energia às aves sem as atrair para perigos evitáveis
Pensa num habitat a longo prazo Pratos de água, montes de folhas e arbustos com bagas reforçam alimento e abrigo naturais Transforma o teu jardim num mini-refúgio que apoia a vida selvagem todo o ano

FAQ:

  • Os piscos-de-peito-ruivo podem comer papa de aveia cozinhada? O melhor é ficar pela aveia crua e seca. A papa cozinhada é pegajosa, pode colar-se às penas e aos bicos, e muitas vezes contém sal ou leite, que as aves não toleram bem.
  • É seguro dar aveia todos os dias? Sim, em pequenas quantidades e a par de outros alimentos, como miolo de girassol, queijo ralado e larvas de farinha. A aveia é um reforço energético útil, não a única coisa que um pisco deve comer.
  • Onde devo colocar a aveia se tiver gatos por perto? Num local aberto, com visão desimpedida em todas as direções, longe de arbustos densos ou vedações que os gatos usem para emboscar. Tabuleiros ligeiramente elevados também podem ajudar.
  • Outras aves do jardim também comem flocos de aveia? Sim. Melros, pardais e chapins podem comer alguns, sobretudo quando a comida natural é escassa. Não há problema - estás a apoiar a comunidade do jardim em geral.
  • O que mais posso oferecer aos piscos a partir da cozinha? Pequenas quantidades de queijo duro finamente ralado, sem sal, sebo esfarelado e passas muito bem picadas (demolhadas em água) também podem ajudar, a par da aveia, como parte de um menu variado.

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