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Deve deixar o aquecimento ligado durante a noite?

Mulher ajusta termóstato na parede ao lado de um quarto com cama e despertador na mesa.

Across do Reino Unido e de partes da América do Norte, regressa um dilema de inverno bem conhecido: como manter-se quente durante a noite sem estragar o sono, a caldeira ou o orçamento.

Porque é que o debate do “aquecimento ligado toda a noite” está a reacender-se

Os meteorologistas alertam para temperaturas negativas, gelo e, em algumas zonas, condições semelhantes a tempestades de neve. Essa combinação faz com que as temperaturas interiores caiam a pique depois de escurecer, sobretudo em casas mais antigas ou mal isoladas. Quem trabalha a partir de casa durante o dia e treme debaixo do edredão à noite enfrenta agora uma escolha difícil: manter a caldeira a funcionar ou reduzir e esperar que a casa não se transforme num frigorífico.

Os conselheiros de energia tendem a convergir num ponto essencial: o termóstato deve estar na temperatura mais baixa que considere confortável e, para a maioria das famílias, isso situa-se entre 18°C e 21°C. Um mínimo de 18°C costuma proteger tanto a saúde como as canalizações. Pessoas vulneráveis, incluindo idosos e pessoas com doenças crónicas, podem precisar do limite superior desse intervalo.

Para a maioria das casas, baixar ligeiramente a temperatura durante a noite faz sentido, mas desligar o aquecimento por completo numa vaga de frio intensa pode sair pela culatra.

Por outras palavras, a questão é menos “aquecimento ligado ou desligado?” e mais “até quão baixo pode descer com segurança?”.

O que dizem os especialistas sobre o aquecimento durante a noite

Baixar vs desligar

Os especialistas em energia tendem a recomendar uma estratégia simples: deixar a casa arrefecer um pouco durante a noite, mas mantê-la acima do limiar dos 18°C nas divisões que mais utiliza, ou recorrer a um modo de proteção contra geada quando se prevê que as temperaturas desçam abaixo de zero.

Muitas caldeiras e termóstatos modernos têm um ícone de proteção contra geada, muitas vezes um pequeno símbolo de estrela. Quando ativado, mantém as tubagens e os radiadores apenas suficientemente quentes para impedir que a água congele no sistema, evitando o custo de aquecer a casa por completo. Em episódios de frio intenso, esse modo pode prevenir rebentamentos de tubos e reparações dispendiosas.

Para adultos saudáveis, um quarto ligeiramente mais fresco é, em geral, mais confortável. Muitas pessoas dormem bem por volta dos 16°C–18°C, desde que usem roupa de cama adequada e controlem as correntes de ar. Já pessoas com problemas respiratórios, bebés e idosos muito avançados em idade, muitas vezes, precisam de uma margem de segurança mais estreita.

Os bebés estão mais seguros num quarto a 16°C–20°C com camadas leves, e não num quarto demasiado quente ou debaixo de mantas pesadas.

Riscos para a saúde nos dois extremos de temperatura

Investigadores do sono salientam que a temperatura central do corpo desce naturalmente ao longo da noite e atinge o ponto mais baixo nas primeiras horas da manhã. Um ambiente fresco mas estável ajuda esse ritmo. Um quarto que oscila de frio para quente e volta a frio não ajuda.

  • Demasiado quente: o sobreaquecimento reduz o sono profundo e reparador e pode provocar mais despertares, dores de cabeça e sensação de torpor.
  • Demasiado frio: temperaturas muito baixas no quarto causam tensão muscular, inquietação e podem agravar asma ou outros problemas respiratórios, sobretudo quando o ar fica seco.
  • Tecidos inadequados: roupa de cama pesada e sintética retém suor, enquanto algodão ou linho deixam o calor dissipar-se de forma mais natural e mantêm a pele mais seca.

Estas diferenças subtis de temperatura influenciam diretamente o estado de alerta de manhã, a clareza de pensamento e até o funcionamento do sistema imunitário durante a época dos vírus de inverno.

Então, deve mesmo manter o aquecimento ligado durante a noite?

Casas diferentes, respostas diferentes

Não existe uma regra única que sirva para todas as casas, mas há alguns padrões que se destacam.

Situação do agregado familiar Abordagem ao aquecimento noturno
Adultos saudáveis num apartamento bem isolado Termóstato definido entre 16°C–18°C; aquecimento reduzido durante a noite, mas não desligado em caso de geada
Residentes idosos ou clinicamente vulneráveis Manter áreas de estar e de dormir mais perto de 18°C–21°C; evitar grandes quedas depois da meia-noite
Bebé ou criança pequena num quarto separado Quarto mantido entre 16°C–20°C com roupa de cama leve ou saco de dormir ajustado
Casa muito ventosa ou mal isolada Baixar ligeiramente o termóstato, mas usar proteção contra geada ou aquecimento baixo para evitar congelamento

Os especialistas tendem a concordar num ponto: se a previsão indicar temperaturas negativas sustentadas e a casa perder calor rapidamente, desligar totalmente a caldeira durante a noite traz um risco real de canalizações congeladas e formação de humidade em cantos frios.

Pense no aquecimento noturno como uma proteção de fundo para a casa, não como uma forma de manter todas as divisões quentinhas às 2 da manhã.

Cobertores elétricos, botijas de água quente e outros atalhos

Cobertores elétricos: ferramenta para aquecer, não para aquecer a noite toda

Organismos de segurança e fabricantes aconselham, normalmente, a usar cobertores elétricos para aquecer a cama antes de se deitar e depois desligá-los, ou confiar em funções de desligamento automático. Modelos antigos sem temporizadores ou sem padrões de segurança modernos apresentam maior risco se ficarem ligados durante horas.

Cabos desgastados, cobertores dobrados e produtos baratos e não certificados comprados à pressa também aumentam o risco de incêndio. Se um cobertor tiver mais de dez anos, os especialistas costumam sugerir que seja testado ou substituído.

Botijas de água quente: conforto com condições

As botijas de água quente continuam a ser um clássico de inverno, mas exigem cuidados. Organizações de segurança alertam para não se sentar ou deitar diretamente em cima de uma, pois isso concentra pressão e calor numa pequena área. Pode provocar queimaduras ou fugas se a borracha falhar.

  • Encha com água quente, não a ferver.
  • Use uma capa e verifique se há fissuras em cada estação.
  • Retire-a antes de adormecer, especialmente no caso de crianças ou de quem possa não sentir bem o calor.

Formas práticas de dormir à temperatura certa

Foque-se na cama, não apenas na caldeira

Um dos truques mais simples é manter o ar relativamente fresco e, ao mesmo tempo, a roupa de cama consistentemente quente. Um edredão de inverno de cerca de 10,5 tog ou mais, combinado com uma capa respirável, permite que a maioria das pessoas durma confortavelmente nesse intervalo de 16°C–18°C no quarto.

Um duche ou banho quente cerca de uma hora antes de deitar também pode ajudar. Quando a pele arrefece depois, a temperatura central desce gradualmente, encaminhando o corpo para o sono. Luz matinal consistente - mesmo uma caminhada curta - reajusta o relógio interno, tornando a descida noturna de temperatura mais previsível.

Camadas, zonamento e soluções baratas

Para famílias a lidar com contas em subida, algumas táticas simples podem fazer uma diferença percetível sem necessidade de manter a caldeira no máximo durante toda a noite:

  • Feche as portas de divisões não usadas para que os radiadores se foquem nos espaços-chave, como o quarto e a sala.
  • Use cortinas grossas à noite e abra-as durante o dia para aproveitar o calor do sol.
  • Enrole toalhas ou use vedantes simples na parte inferior das portas exteriores para travar correntes de ar.
  • Considere pijamas térmicos ou de algodão escovado e meias, em vez de aumentar o termóstato.

Uma casa ligeiramente mais fresca, com bom zonamento, roupa de cama adequada e correntes de ar seladas, muitas vezes, sabe melhor do que uma casa mal gerida com o termóstato mais alto.

O que isto significa para a sua fatura de aquecimento e para a sua saúde

As agências de energia continuam a sugerir que baixar o termóstato mesmo 1°C pode reduzir os custos anuais de aquecimento. O truque é fazê-lo sem cair num frio pouco saudável, especialmente durante a noite. Na prática, isso significa pequenas reduções acompanhadas de melhor isolamento, e não desligamentos drásticos durante a noite quando as temperaturas descem muito lá fora.

Do ponto de vista da saúde, temperaturas noturnas consistentes importam mais do que a perfeição. Oscilações fortes de 14°C para 23°C e de volta podem prejudicar o sono e agravar problemas cardíacos e pulmonares. Pessoas com doença cardiovascular, por exemplo, enfrentam riscos mais elevados durante vagas de frio porque os vasos sanguíneos contraem e a pressão arterial sobe.

Para inquilinos ou quem vive em habitação mais antiga e não consegue melhorar janelas ou paredes, as mudanças de comportamento têm mais impacto. Reorganizar o quarto para afastar a cama de paredes exteriores geladas, usar tapetes em pisos frios e vedar fendas evidentes pode aumentar a temperatura “sentida” em alguns graus, sem mexer no termóstato.

A questão sazonal - deixar o aquecimento ligado ou não - esconde uma mais profunda: quão bem a casa retém calor e quão bem a rotina se ajusta ao ritmo térmico do corpo? As respostas variam de rua para rua, mas a direção é clara. Quartos ligeiramente mais frescos, calor de fundo estável para proteger o edifício e hábitos inteligentes e de baixo custo oferecem um caminho melhor através das noites de inverno do que um simples interruptor ligado/desligado à hora de deitar.

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