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Colocar o router Wi-Fi neste local comum pode reduzir o sinal até 40%.

Pessoa ajusta definições de rede no smartphone em frente a um router num móvel de madeira, com plantas ao fundo.

Ela aproxima-se do móvel da televisão.

A barra do teste de velocidade fica congelada nos 37 Mbps.
No sofá, a Emma franze o sobrolho para o telemóvel, olha para o reluzente router Wi‑Fi “de alto desempenho” pousado debaixo da TV 4K e suspira. A caixa prometia internet ultra-rápida. O plano de fibra diz 500 Mbps. Algures entre o marketing e o sofá, há qualquer coisa a sufocar o sinal.

A velocidade sobe. Ela recua em direção à cozinha. Volta a cair a pique. Nada mudou: o mesmo modem, o mesmo portátil, a mesma fila da Netflix à espera de carregar no ecrã grande.

O problema não é a linha, nem as apps, nem sequer o Wi‑Fi dos vizinhos.
É o sítio onde ela estacionou aquela caixinha de plástico.

Aquele “spot perfeito” escondido que mata silenciosamente o seu Wi‑Fi

Entre em dez casas e verá a mesma cena em repetição.
Router enfiado atrás da TV, espremido dentro de um móvel de madeira, ou encostado a um ninho de cabos e consolas. Fora da vista, fora da cabeça. Parece arrumado, a sala fica mais “limpa” e as luzes a piscar não aparecem em fotos nem incomodam visitas.

Do ponto de vista do design, faz sentido. Do ponto de vista do Wi‑Fi, é um desastre.
Esse local popular junto à TV pode cortar a força do sinal em até 40%, por vezes mais. Paredes, metal, vidro e eletrónica juntam-se contra a sua pequena antena sem que se dê conta.

Só se nota quando o TikTok engasga, a chamada de Zoom congela, ou o jogo tem lag no pior segundo possível. E depois a culpa cai no operador, não no mobiliário.

Numa terça-feira calma do ano passado, um monitor de banda larga do Reino Unido fez testes em 100 casas.
O mesmo router, o mesmo pacote - apenas colocação diferente. Nas casas em que o router estava atrás da TV ou dentro de um móvel multimédia, as velocidades médias de Wi‑Fi na sala eram cerca de um terço inferiores às das casas em que o router estava elevado e visível, ao ar livre.

Uma família tinha um plano de 300 Mbps. A dois metros do router escondido debaixo da TV, o teste mal chegava aos 90 Mbps. Um técnico pediu-lhes que colocassem a caixa em cima de um aparador, afastada da TV e da consola. Não mudaram cabos. Não compraram hardware. O teste seguinte saltou para perto dos 240 Mbps.

Não estamos a falar de diferenças mínimas, “de nerd”, que só se veem num gráfico.
Estamos a falar de streaming 4K fluido vs. rodas de buffering intermináveis numa noite de sexta-feira.

Parece quase injusto. Paga por uma velocidade, a linha entrega-a em casa, e depois o mobiliário engole silenciosamente uma grande fatia dela.
A razão é brutalmente simples: Wi‑Fi são apenas ondas de rádio. Essas ondas ricocheteiam, refletem, são absorvidas e colidem com objetos em sua casa. O metal da TV, a madeira do móvel, até as portas de vidro e a consola interferem.

Coloque o router numa zona apertada, baixa e fechada e está a obrigar essas ondas a atravessar um labirinto antes sequer de chegarem ao corredor. Cada superfície rouba um pouco de potência. Junte uma TV grande e plana mesmo à frente das antenas e é como estacionar um outdoor no meio da estrada.

Espalhe essa perda por divisões e pisos e a sua casa fica cheia de pequenas e frustrantes zonas mortas, onde o telemóvel se agarra a uma única barra como se estivesse pendurado num precipício.

Onde o seu router realmente quer viver (mesmo que a decoração discorde)

A correção mais eficaz raramente envolve equipamento novo.
É mudar o router para um local onde ele possa “respirar”. Idealmente, querê-lo alto, central e desimpedido. Pense no router como uma pequena estação de rádio: precisa de um bom ponto de emissão.

Uma regra simples: ao nível da cintura ou acima, numa área aberta, longe de grandes objetos metálicos e paredes espessas.
Colocá-lo numa prateleira, num móvel de entrada no corredor, ou até fixo na parede pode transformar a cobertura mais do que trocar por um router “da moda”. Mantenha-o pelo menos a alguns centímetros da TV, e não colado a ela como um íman.

Sim, pode estragar um pouco a foto para o Instagram.
Mas a troca é velocidade no mundo real em vez de perfeição decorativa.

Na prática, comece com um “teste a andar” de 10 minutos.
Abra uma app de teste de velocidade no telemóvel, fique junto ao local atual do router e faça um teste. Depois mova o router para um local temporário mais aberto: numa cadeira no centro da sala, numa prateleira alta, ou no corredor longe do conjunto da TV. Repita o mesmo teste a partir dos mesmos pontos da casa.

A maioria das pessoas fica espantada à primeira.
As velocidades disparam perto da nova posição e até o quarto ou a cozinha podem de repente parecer “desbloqueados”. Aí percebe que o problema não era a linha - era o esconderijo.

Todos já o fizemos: empurrámos o router para o canto mais próximo com uma tomada livre, dissemos a nós próprios que depois otimizávamos e nunca mais mexemos. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.
Mas uma pequena mudança de sítio a cada poucos anos pode parecer uma atualização gratuita da internet.

“Quando tirámos o router debaixo da TV e o pusemos no corredor, pareceu que alguém tinha mudado o nosso plano durante a noite”, diz o Max, um trabalhador remoto que andava há meses a lutar com videochamadas aos soluços. “Mais nada mudou. Mesmo router, mesmo operador. Foi só o sítio onde o tínhamos posto porque ficava bonito e arrumado.”

Há algumas armadilhas comuns que destroem discretamente o sinal, mesmo fora da zona da TV.
Aqui vai uma lista rápida para evitar os piores locais:

  • Não coloque o router diretamente atrás de uma TV, dentro de um móvel fechado, ou encostado a uma parede.
  • Evite cantos de divisões, caves e o nível do chão atrás de sofás ou plantas.
  • Mantenha-o longe de grandes eletrodomésticos metálicos como frigoríficos, radiadores e micro-ondas.
  • Tente não o rodear de outros eletrónicos: colunas, consolas, boxes.
  • Se a sua casa for grande, considere um sistema mesh em vez de um router sozinho num canto distante.

Transformar um Wi‑Fi frustrante numa pequena vitória do dia a dia

Há um pequeno momento de magia quando muda um router de lugar e a casa parece subitamente “desimpedida”.
O streaming deixa de engasgar quando outra pessoa entra numa reunião. Os jogos online deixam de ter lag nas horas de ponta. O telemóvel finalmente pára aquela dança irritante entre Wi‑Fi e 4G.

A nível humano, essa mudança é maior do que números num teste de velocidade.
É a diferença entre discutir sobre “quem está a roubar o Wi‑Fi” e coexistir online em silêncio, sem pensar nisso. Menos uma fonte de stress de fundo ao longo do dia.

Num plano mais profundo, corrigir o Wi‑Fi mudando o seu lugar físico é quase uma metáfora de como lidamos com a vida digital.
Tendemos a atirar mais tecnologia para cima dos problemas: novas caixas, novas subscrições, novos cabos. E, no entanto, por vezes a resposta é olhar à volta e perguntar: onde é que esta coisa está realmente a viver? Está enterrada, sufocada, encostada a um canto porque foi onde “cabia” no primeiro dia?

Numa tarde de domingo, mover uma caixinha de plástico 2 metros e elevá-la 50 centímetros pode melhorar silenciosamente todos os dias que se seguem.
Não precisa de um curso, de um técnico, nem de uma fatura nova. Só curiosidade, um pouco de tentativa e erro, e disponibilidade para deixar um aparelho ligeiramente feio num lugar mais honesto.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Evitar o local atrás da TV A zona da TV / móvel multimédia pode reduzir a potência do sinal em 30 a 40% Compreender porque é que o Wi‑Fi fica lento apesar de ter um pacote rápido
Privilegiar um local alto e desimpedido Posição central, em altura, longe de grandes objetos metálicos e paredes espessas Melhorar a cobertura sem comprar equipamento novo
Testar e ajustar Fazer testes de velocidade enquanto desloca o router alguns metros Encontrar o “ponto ideal” em casa com um método simples e concreto

FAQ

  • Pôr o router atrás da TV pode mesmo reduzir o Wi‑Fi em 40%?
    Sim. Em muitas casas, esconder o router atrás ou debaixo da TV, ou dentro de um móvel multimédia, resulta num sinal 30–40% mais fraco porque as ondas ficam bloqueadas ou são absorvidas.
  • Qual é o melhor sítio único para colocar um router?
    O mais central possível na casa, elevado do chão, num espaço aberto, longe de grandes objetos metálicos e paredes espessas.
  • Faz diferença se o router estiver ao lado de outros eletrónicos?
    Sim. Tê-lo encostado a consolas, boxes, colunas ou uma TV pode criar interferências e reduzir o alcance e a estabilidade.
  • Um router novo resolve o Wi‑Fi se o mantiver no mesmo sítio mau?
    Muitas vezes, não. Um router topo de gama escondido num armário pode ter pior desempenho do que um modelo básico colocado num local limpo e aberto.
  • Como posso confirmar rapidamente se o problema é a colocação?
    Faça um teste de velocidade perto da instalação atual, depois mude o router para um local mais aberto e mais alto e repita a partir dos mesmos pontos. Um grande salto na velocidade indica que a colocação era o principal problema.

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